Le Parc – Viola

English:

My work is inspired by many artists and here in the blog, in the midst of more than 100 posts, I already cited some: Monet, Willian Kentridge, Mariana Abramovic, Nan Jum Paik, Paula Rego, Frida Khalo, Alyssa Monks, the Brazilians Luiz Duva and the duo Mirella Brandi x MuepEtmo. But I could not neglect to give a brief overview to the two who are getting increasingly influential in my trajectory:

Julio Le Parc_Angentina, 1928 (Kinetic Art)

I approached Le Parc’s work while researching light’s autonomy, but I only got a better understanding of his work at the end of 2017 when I had the opportunity to visit an exhibition about his career at the Tomie Ohtake Institute in São Paulo.

Le Parc began his trajectory with paintings, within a research that involved the power of human vision in perceiving movements even in static objects. He sought to create a visual instability, which forced the spectator’s gaze to be spirited away from the painting, thus apprehending the optical vibrations. Later it realized great immersive installations and objects involving lights and real movements. In the 60’s he founded the GRAV research group, with the purpose of breaking the idea of the “Genius Artist” as an isolated creator, along with the viewer’s passive action. The artists of this group produced works and theories about their work, these “Manifestos” were often elaborated together with the public.

Le Parc has also held some games that invited viewers to actively participate in the works. He sees this as political positioning, believing that if the viewer is active he becomes a switch capable of producing changes in processes through their own actions or movements. This effect happens doubly, with the viewer modifying the work, and the action changing his attitude towards the work. This way of thinking was formed in the early 1960s as a radical reaction to the traditional media and the role of the public.

“The idea is to awaken people’s potential ability to participate and decide for themselves, get them to contact others to develop common action”
Le Parc

I had not been thrilled in an exhibition for some time. I was charmed by the dancing lights coming from their relatively simple system of mirrors. Often in the case of art and technology, we tend to look for the most modern and technological devices and let the software, the hardware or the sensors stand out, to the detriment of the idea. This exhibition has shown me that art often has the power to attract and marvel viewers in a subtle way, forming meaningful images and effects with simple elements (such as mirrors and nylon wires). This made me more willing to explore the mirror projection and show how things are done bringing the viewer into my work, turning them into an active player  (either by choosing where to look in Virtual Reality or by joining myself and performing a blind self-portrait).

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Bill Viola_ USA, 1951 (Video Art)

Bill Viola is a name that has always appeared in my studies related to video art. His technique and the quality of his videos always impress me, but I was really stunned when I saw his video ‘The Raft, 2004’ live on Documenta Kassel in 2017, where a strong slow-motion water jet hits a group of people which are gradually being put down and carried away by the force of the water.

Researching a little more about the artist I found an interview in which he talks about his work as a constant dialogue with himself, based on personal narratives, his family. The artist stresses that he can not “turn on and off” his practice, so his personal life and art are intertwined. He puts the video ‘Tape I’ (1972) as one of the most important of his trajectory, a video that he says is about going inside his being. From that moment on he realized that he was working with self-knowledge.

His works are often inspired by everyday sensations or occurrences, for example, the reflection of the street in the raindrops of his glasses, the set of mirrors that form within a specific room or even the death of a loved one.

Water is also a very strong element in your work. He said that when he was six he fell into a lake and was amazed by the lights and colors that were reflected and formed in the water and this experience was very remarkable. Water represents what goes beyond the surface, the deep issues that are most important. The artist still relates water and its movement to the state of “Emptiness,” the theory of an empty space that we need to live. Physically in the human brain, the neurons make the connections between these small empty spaces. He also said that he “discovered” the video while he was at school and from the moment he turned on the camera and saw the blue screen and had the same feeling of being submerged, and saw that the motion of the electrons from the video was the same as those present in the water.

Bill Viola still discusses his work and spirituality, and how difficult it was to assume this religious/spiritual character of his work within the context of contemporary art. According to him, more than photography, video cameras have the power to capture the human soul: it can capture movements, reactions, and sensations of the people, and somehow, if well preserved, they remain there for generations and generations through digital.

Knowing more about the work of Bill Viola I pondered on my practice. I have come to realize that we have many common thoughts, not only related to an art with self-knowledge turned to personal narratives, but by being inspired by small moments and experiences, the use of water and video and the sharing of intimacy. Presenting my little personal rituals, my blind drawings, and my image is something very intimate and difficult for me, but I believe it is an honest way to present my practice.

At this moment a great exhibition is taking place in my city (São Paulo), but unfortunately, I will not be able to see it live.

Português:

Meu trabalho é inspirado em muitos artistas e aqui no blog, no meio de mais de 100 posts, eu já citei alguns como: Monet, Willian Kentridge, Mariana Abramovic, Nan Jum Paik , Paula Rego, Frida Khalo, Alyssa Monks, os Brasileiros Luiz Duva e a dupla Mirella Brandi x MuepEtmo. Mas não poderia deixar de dar um breve destaque para os dois que estão sendo cada vez mais e mais influentes na minha trajetória:

Julio Le Parc_Angentina, 1928 (Arte cinética)

Eu me aproximei do trabalho do Le Parc enquanto pesquisava a autonomia da Luz, mas só consegui entender melhor seu trabalho no fim de 2017 quando tive a oportunidade de visitar a exposição de sua trajetória no Instituto Tomie Ohtake em São Paulo.

Le Parc iniciou sua trajetória com pinturas, dentro de uma pesquisa em que envolvia o poder da visão humana em perceber movimentos mesmo em objetos estáticos. Buscava criar uma instabilidade visual, que obrigava o olhar do espectador a se descolar pela pintura, para apreender as vibrações óticas. Posteriormente realizou grandes instalações imersivas e objetos envolvendo luzes e movimentos reais. Da década de 60 ele fundou o grupo de pesquisa GRAV com o propósito de romper com a ideia de “Artista Gênio”, como um criador isolado e com a concepção de espectador passivo. Os artistas desse grupo produziram obras e teorias sobre o próprio trabalho, esses “Manifestos” eram muitas vezes elaborados em conjunto com o público.

Le Parc ainda realizou alguns jogos que convidam os espectadores a participar ativamente dos trabalhos. Ele traz isso como posicionamento politico, acreditando que se o espectador é ativo ele se torna um interruptor capaz de produzir mudanças nos processos por meio de suas próprias ações ou movimentos. Esse efeito acontece duplamente, com o espectador modificando a obra, e a ação alterando sua atitude perante o trabalho. Esse pensamento se configurou no inicio dos anos 60 como uma reação radical aos meios de representação artística tradicionais e ao papel do público diante deles.

“A ideia é despertar a capacidade potencial que as pessoas têm de participar e decidir por si mesmas, levá-las a entrar em contato com outros para desenvolver uma ação comum” Le Parc

Fazia tempo que eu não me emocionava em uma exposição. Fiquei encantada com as luzes dançantes que saíam de seus aparatos relativamente simples feitos de espelhos. Muitas vezes se tratando de arte e tecnologia temos a tendência de buscar os aparatos mais modernos e tecnológicos e deixamos o software, o hardware ou os sensores se sobressaírem, em detrimento da ideia. Essa exposição me mostrou que muitas vezes a arte tem o poder atrair e maravilhar os espectadores de uma forma sutil, formando imagens e efeitos significativos com elementos simples (como espelhos e fios de nylon). Isso me deixou com mais vontade de explorar a projeção em espelho, mostrar como as coisas são feitas e trazer o espectador para dentro do meu trabalho, transformando-o em ativo (seja escolhendo para onde olha na Realidade Virtual, seja se juntando a mim e realizando um autorretrato cego).  

Bill Viola_ USA, 1951 (Video Art)

Bill Viola é um nome que sempre apareceu dentro dos meus estudos relacionados a vídeo-arte. Sua técnica e a qualidade dos seus vídeos sempre me impressionam, mas eu fiquei mesmo estonteada quando vi seu video ‘The Raft, 2004’ ao vivo na Documenta Kassel de 2017, em que um forte jato de água em câmera lenta atinge um grupo de pessoas que aos poucos vão sendo tomadas e arrebatadas pela força da água. 

Pesquisando um pouco mais sobre o artista eu achei uma entrevista em que eu fala sobre seu trabalho partir de um diálogo constante consigo mesmo, seus trabalhos são baseados em narrativas pessoais, sua família. O artista ressalta que não dá para “ligar e desligar” a sua prática, por isso sua vida pessoal e sua arte estão interligados. Ele coloca o video ‘Tape I’ (1972) como um dos mais importantes de sua trajetória, um video que segundo ele é sobre ir para dentro de si. A partir desse momento ele percebeu que estava trabalhando com o autoconhecimento. 

Seus trabalhos são muitas vezes inspirados por sensações ou ocorrências do cotidiano, por exemplo: o reflexo da rua nas gotas de chuvas dos seus óculos, o jogo de espelhos que se forma dentro de uma sala especifica ou até a morte de um ente querido.

A água também é um elemento muito forte no seu trabalho. Ele contou que quando tinha 6 anos caiu em um lago e ficou maravilhado com as luzes e cores que eram refletidas e se formavam dentro da água e essa experiência foi muito marcante. A água representa o que vai além da superfície, os assuntos profundos que são mais importantes. O artista ainda relaciona a água e seu movimento com o estado de “Vazio” (Emptiness), a teoria de um espaço vazio que necessitamos para viver.  fisicamente no cérebro humano os neurônios fazem as conexões dentro desses pequenos espaços vazios. Ele ainda contou que “descobriu” o vídeo enquanto estava na escola e a partir do momento em que ligou a câmera e viu a tela azul teve a mesma sensação de estar submerso, e viu que o movimento dos elétrons do video eram os mesmos presentes na água.

Bill Viola ainda discorre sobre seu trabalho e a espiritualidade, e do quanto teve dificuldade em assumir esse caráter religioso/ espiritual de seu trabalho dentro do contexto da arte contemporânea. Segundo ele, mais que a fotografia, as câmeras filmadoras tem o poder de captura da alma humana: ela pode captar movimentos, reações e sensações das pessoas, e de alguma forma, se bem preservadas, elas continuam lá por gerações e gerações através do digital.

Conhecendo mais o trabalho do Bill Viola comecei a refletir sobre a minha prática. Consegui perceber que temos muitos pensamentos em comum, não apenas relacionados a uma arte com o  autoconhecimento voltado às narrativas pessoais, mas também na inspiração gerada por pequenos momentos e experiências, o uso da água e do video e o compartilhamento da intimidade. Apresentar os meus pequenos rituais pessoais, meus desenhos cegos e a minha imagem é algo muito íntimo e difícil para mim, mas acredito que é uma forma honesta de apresentar a minha prática.

Neste momento está acontecendo uma grande exposição dele na minha cidade (São Paulo), mas  infelizmente eu não conseguirei ver ao vivo.

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