Activity: Fluid (Blind Self Portrait)

English:

It’s been a while since I’ve been doing fluid blind self-portraits of my face and I made some full-body attempts, but even after sharing some photos on Instagram and putting the drawings on the studio’s wall I still have a lot of trouble understanding them as art. To tell you the truth I’m a little ashamed of them, I can not see any technical quality in them and I find it difficult to call them “drawings”. I believe that the word “drawing” is reserved to the universe of illustration and the design images, often well made, communicating something. I do not know if my work falls into this universe. However, I can see that these self-portraits have some strength and communicate something to me, they are the recording, the coagulation of an action and not noble pieces of “art”, ready to be judged by other people’s eyes.

At the time of this post I’ve done about 50 drawings and only when I arranged them all together (first on the wall of the studio and after on the floor of my room) I realized that their artistic potential lies in the whole. One drawing continues and unfolds into the other, and together they can convey a little of the process, of the action – they cease to be “drawings” and become records.

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In one of the last tutoring sessions I had with Jonathan I talked about my difficulty in understanding these drawings as art and that the action was more important than the result. He then gave me the idea of ​​presenting this work as the process it is, setting up in the exhibition environment a mini-workshop with a table, a chair, a mirror and some materials. A space that I could continue with the practice and that the drawings (alive) could be filling the walls and the rooms. Thus, the work has become a kind of performance (or rather an activity) that I will continue to do throughout the exhibition (hence the title of the work ‘Fluid Activity’, which refers to the process, movement, something alive and under construction). This idea reminded me of the work exhibited by the artist Dawn Kasper who works with nomadic studios, which I had the opportunity to see in action at the last Venice Biennale (2017). She was there, in the living room, quietly working and talking to people who were interested in her work.

Increasingly confident and excited to set up a space where I could continue the drawings inside the exhibition I thought that it would be important not only to make the drawings for people to look at but to propose this activity, this little ritual, to the spectators. It would be interesting for them to share this moment with me and, perhaps, to establish their own internal dialogues.

So I will set a table, in the middle of it a double-sided round mirror at the height of my face, two stools and some materials like crayons, chalk, and water. I would also like to bring some of the object made in pottery to collect the water, some cloths from Brazil and some crystals that are part of my personal altar. When the viewer and I start drawing we will look at the same point as if we were looking at each other. The mirror that I will integrate into the space will not be the traditional rectangular one that I have been working with, but a round mirror in a brief homage to Frida Kahlo, that made her self-portraits from a round mirror in front of her bed.

In each action the colors are chosen intuitively and only after seeing all of them together I could perceive a large majority of blues. I have to admit that I do not yet have a great meaning or reason for it,  but the color is part of my life and was part of my growth, whether looking at the sky and the trees, or by having a dam in my garden. Maybe this color, unconsciously,  is a tribute to “my child persona”, and also the Goddesses and Orixás of the Waters and all the water that formed me.

I still do not know for sure how the performance’s dynamics will be if I will set the time of each drawing and how to invite the visitors to participate. I do not know if I will only have a “join me” sign or if I will provide written instructions. I think this direct contact is important after all the work is about dialogue and connection, so I think I will try a more natural interaction, if I realize that the person is interested I will invite him or her to join me.

Português:

Já faz um tempo que eu venho fazendo os autorretratos cegos fluidos de rosto e fiz algumas tentativas de corpo inteiro, mas mesmo depois de compartilhar algumas fotos no Instagram e colocar os desenhos na parede do estúdio, ainda tenho muita dificuldade em entendê-los como trabalhos de arte. Para dizer a verdade eu tenho um pouco de vergonha deles, não consigo ver qualidade técnica e tenho dificuldade de chamá-los de “desenhos”. Acredito que a palavra “desenho” se configura no universo do design da ilustração de uma imagem, muitas vezes bem feita, que comunica algo. Não sei se esse meu trabalho se classifica nesse universo. Os autorretratos tem força e comunicam algo para mim, são o registro, a coagulação de uma ação e não peças nobres de “arte”, prontas para serem julgadas por olhos alheios.  

No momento desse post estou com cerca de 50 desenhos e só quando dispus todos juntos (primeiro na parede do estudio e depois do chão do meu quarto) percebi que o potencial artístico deles está no conjunto. Um desenho continua e se desdobra no outro, e juntos conseguem transmitir um pouco do processo, da ação- eles deixam de serem “desenhos” e se tornam registros. 

Em uma das última sessões de tutoria que tive com o Jonathan falei da minha dificuldade de entender esses desenhos como arte e que para mim, a ação era mais importante do que o resultado. Ele então me deu a ideia de apresentar  esse trabalho como o processo que ele é, montando dentro do ambiente expositivo um mini ateliê, com uma mesa, uma cadeira , um espelho e alguns materiais. Um espaço que eu pudesse continuar com a prática e que os desenhos (vivos) pudesse ir preenchendo as paredes e as salas. Assim, o trabalho se transformou em um tipo de performance (ou melhor uma atividade) que continuarei fazendo ao longo da exposição (por isso o titulo do trabalho ‘Atividade Fluida’ que referencia o processo, o movimento, algo vivo em construção). Essa idéia me lembrou do trabalho exposto pela artista Dawn Kasper que trabalha com estúdios nômades, que tive a oportunidade de ver em ação na última Bienal de Veneza (2017). Ela estava lá, na sala, calmamente trabalhando e conversando com as pessoas que se interessavam por seu trabalho.

Cada vez mais confiante e animada em montar um espaço onde eu pudesse continuar os desenhos dentro da exposição pensei que seria importante não apenas fazer os desenhos para as pessoas olharem, mas propor essa atividade, esse pequeno ritual, para os espectadores. Seria interessante que eles partilhassem comigo desse momento e, quem sabe, construir diálogos internos próprios.

Então terei uma mesa, no meio dela um espelho redondo dupla face na altura do meu rosto, dois bancos e alguns materiais como lápis de cor, giz e água. Gostaria também de trazer alguns dos meus elementos feitos na cerâmica para coletar a água que corre, alguns panos vindos do Brasil e alguns cristais que integram o meu altar. Quando eu e o espectador estivermos desenhando olharemos para o mesmo ponto como se estivéssemos olhando um para o outro. O espelho que integrarei no espaço não será o tradicional retangular que venho trabalhando, será um espelho redondo fazendo uma breve homenagem a Frida Kalho que fazia seus autorretratos a partir de um espelho redondo em frente da sua cama.   

Em cada ação as cores são escolhidas intuitivamente e só depois de ver todos eles em conjunto percebi uma grande maioria de azuis. Tenho que admitir que ainda não tenho um grande significado ou razão para isso, mas me aproximo do azul, ele faz parte da minha vida e fez parte do meu crescimento, seja olhando o céu e as árvores, ou por ter uma represa no meu jardim. Então essa cor, inconscientemente, pode ser uma homenagem ao meu “eu criança”, às Deusas e Orixás das Águas e a toda água que me formou.  

Ainda não sei ao certo como será a dinâmica da perfomance, se marcarei o tempo de cada desenho e como será o convite à participação. Não sei se terei apenas uma plaquinha escrito “join me” ou se colocarei alguma instrução escrita. Acho importante esse contato direto, afinal o trabalho é sobre diálogo e conexão,  então acho que tentarei uma interação mais natural, se eu perceber que a pessoa se interessou irei convidá-la a se unir a mim. 

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