Submerge

English:

I believe that I have stayed here several times about how the element of water is a great part of my life. I grew up on the shore of a dam and I feel it’s like an ocean, I find magic rainy days and taking baths organizes my thoughts. But water and its mysteries are also the protagonists of my deepest fears. I fear the lack of control, fear of destruction and dissolution. This theme often appears in my dreams and I wake up in desperation, dreaming that I am drowning. Maybe that’s why I wasn’t the kind of kid who kept playing under the water or betting with little friends how far one can swim holding the breath. Therefore I developed a respectful affection for the element and its potency.

But recently, while I was taking a shower, I pondered about my work, my little artistic and physical rituals, and the water’s functionality. In the installation the water is poured over the digital image, also transforming it and “releasing” the rays of light. In virtual reality I play with the colored water on camera, creating a kind of bath and meanwhile transforming the landscape. In the blind drawings, the water dissolves the paint and transforms the figure of my drawn face. In all these works I am talking about artistic personal rituals and how water has the power to cleanse, transform and coagulate, but in none of them do I truly let myself be “washed” by the element, to be immersed, to feel and to discover intimately what is this potential of the element I’m talking about. Is it really that I’m afraid that if I allow it will transform something inside me?

With ideas, I felt the desire to realize this new experience. To be immersed in the tub for as long as I could, while Ale threw droplets of ink that danced in the water. I wanted to be preferably with my eyes open to see the distortion, the transformation of the water with the paint and try to understand where this immersion could lead me.

Attempt 01

In a ‘gambiarra’ made with 2 rulers and a lot of duct tape, we hold the cell phone. I was more comfortable producing these images with the cell phone (iPhone 7) because it is water resistant and produces images in 4K. It was a little tricky to get the angle of the camera adjusted with the lighting so that the phone’s stand did shed shades. In this first test, I wanted the most closed angle, well approximated in my eyes, without showing the whole face.

After all the setup, I laid there waiting for the tub to fill and cover my entire face. I took a deep breath, but UI was not ready for the sensation, and as soon as the water came, it stifled me and I could not stand it and lifted my head. I only got better accustomed to it in the third attempt, but I still could not stay long or open my eyes. When the water invaded my face several thoughts and anxieties sprang up in my head, however much I tried to concentrate on other things, the colors, the movements, the black immensity was stronger and the drowning death came in my head, and I lost my breath.

Even so, we got some interesting first images, but I was feeling really bad, with a lot of headaches, pressure and the feeling of shortness of breath and drowning for about 3 days after the action. It seems like there was something inside me that prevented me from doing this job or maybe I had access to very uncomfortable parts of myself that I had to deal with before taking a step further. Maybe I would have to come face to face with my fears.

Seeing these images I realized that this was the video that I was supposed to integrate into the Flood installation because it represented an internal cleaning and a contact with deeper fears. So I knew I was going to try it a second time.

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Attempt 02

This second attempt happened a few weeks later. First I and Ale built a more elaborate ‘gambiarra’, integrating the handle of a suitcase and a bottle of shampoo and some laundry to raise the support for the rulers. Even though I was experiencing with slow-motion in the previous images, I did not want to show my entire face, so now we needed a bigger distance between the phone and the bathtub to get this angle. This time I wanted it to be a bit different, I needed this action to be continuous and to repeat it a few times, like the rituals. The paint would be from the brightest to the darkest, accumulating in the water, so that in the end the water would be completely black, symbolizing this cleaning.

I feel that this time I was calmer, understanding my body and my breath better. I managed to stay submerged longer, with my eyes opened, watching the movements of the paint in the water. I was able to enter into a more concentrated state of meditation and let the thoughts come and go, and at no time did I despair with the lack of air. I took advantage of the images of the ink dancing in the water and coloring my gaze, I enjoyed the silence, the calm and I could hear my body. I was able to perform this same action around 7 times. I do not know if this little ritual really changed something in me, but just because I did not feel such fear anymore, being able to listen to my body and feeling calmer afterward is already a big change.

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The images

Even though I felt it was a quieter action, the resulting video became denser. The water gets pitch dark and my face disappears in the paint. I also like constancy: every part of the video has exactly the time that I could stand to be submerged, giving more of a ritual character. I still do not like my face very much, but I know that this is a complex with my image and it is something that I am still working on. I’ve tried some video clippings to include it in the installation, but I think the final version will only be made during the assembly.

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I think this work briefly relates to these images of Ophelia from Hamlet

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Just to play with the density of the final result I made this video based on one of the musics of the artist MuepEtmo. I liked the result and it would be interesting to present it with sound in the screening of films that we will perhaps organize.

Português:

Acredito que eu já coloquei aqui várias vezes sobre o quanto que o elemento água faz parte da minha vida. Eu cresci na beira de uma represa e a sinto como um oceano, acho os dias de chuva mágicos e tomar banhos organiza meus pensamentos. Mas a água e seus mistérios também são protagonistas dos meus mais profundos medos. Tenho medo do descontrole, medo da destruição e da dissolução. Frequentemente esse tema aparece nos meus sonhos e eu acordo desesperada, sonhando que estava morrendo afogada. Talvez por isso eu não fui aquele tipo de criança que ficava brincando de prender a respiração debaixo da água ou que apostava com os amiguinhos o quão longe consegue nadar sem respirar. Com isso eu desenvolvi um carinho respeitoso pelo elemento e sua potência.

Mas recentemente, enquanto eu tomava banho comecei a pensar no meu trabalho, nos meus pequenos rituais artísticos e fisicamente qual é a função da água. Na instalação a água é jogada sobre a imagem digital, também a transformando e “liberando” os raios de luz. Na realidade virtual eu jogo a água colorida sobre câmera, criando uma espécie de banho e ainda transformando a paisagem. Nos desenhos cegos a água dissolve a tinta e transforma a figura do meu rosto desenhado. Em todos esses trabalhos estou falando de rituais pessoais artísticos e de como a água tem o poder de limpeza, transformação e coagulação, mas em nenhum deles eu verdadeiramente me deixo “lavar” pelo elemento, ficar imersa, sentir e descobrir intimamente o que é esse potencial do elemento que eu tanto falo. Será que na verdade eu tenho medo de que se eu deixar ele transformará algo dentro de mim?

Com isso senti vontade de realizar essa nova experiência. Ficar imersa na banheira o máximo de tempo que eu conseguir, enquanto o Ale jogava gotas de tinta que dançavam na água. Queria ficar de preferência de olhos abertos para ver a distorção, a transformação da água com a tinta e tentar perceber aonde essa imersão poderia me levar.

Tentativa 01

Em uma ‘gambiarra’ feita com 2 réguas e muita fita adesiva prendemos o celular. Eu fiquei mais confortável em produzir essas imagens com o celular (iphone 7) por ele ser resistente à água e produzir imagens em 4K. Foi um pouco complicado acertarmos o ângulo da câmera com a iluminação para que o suporte do celular não fizesse sombra. Nesse primeiro teste eu queria o ângulo mais fechado, bem aproximado nos meus olhos, sem mostrar o rosto todo.

Depois de tudo pronto eu fiquei deitava esperando que a banheira enchesse e cobrisse todo meu rosto. Respirei fundo, mas não estrava preparada para a sensação e logo que a água veio me deixou sufocada e eu não aguentei e levantei a cabeça. Só consegui me acostumar melhor lá pela terceira tentativa, mas mesmo assim não consegui ficar muito tempo e nem de olhos abertos. Quando a água invadiu meu rosto vários pensamentos e ansiedades brotaram na minha cabeça, por mais que eu tentasse me concentrar em outros pontos, nas cores e nos movimentos a imensidão preta era mais forte e a morte por afogamento vinha na minha cabeça, fazendo com que eu perdesse a respiração.

Mesmo assim conseguimos algumas primeiras imagens interessantes, mas eu fiquei me sentindo muito mal, com muitas dores de cabeça, pressão e com a sensação de falta de ar e de afogamento por uns 3 dias depois da ação. Parece que tinha algo dentro de mim que me impedia de realizar esse trabalho ou talvez eu tenha acessado partes de mim muito desconfortáveis que eu tinha que lidar antes de seguir um passo adiante. Talvez eu teria que me deparar totalmente com os meus medos.

Vendo essas imagens eu percebi que esse era o vídeo que eu deveria integrar na instalação Inundação, pois representou uma limpeza interna e um contato com medos mais profundos. Assim eu sabia que ia tentar uma segunda vez.

Tentativa 02

Essa segunda tentativa aconteceu algumas semanas depois. Primeiro eu e o Ale construímos uma ‘gambiarra’ mais elaborada, integrando a alça de uma mala e uma embalagem de shampoo para subir o apoio das réguas. Mesmo experimentando um pouco com câmera lenta nas imagens anteriores eu senti falta de mostrar meu rosto inteiro, então agora precisávamos de uma distância maior entre o celular e a banheira para obter esse ângulo. Dessa vez eu queria que fosse um pouco diferente, eu precisava que essa ação fosse contínua e que se repetisse algumas vezes, como os rituais. A tinta seria da mais clara para a mais escura, acumulando na água, para que no final a água ficasse completamente preta, simbolizando essa limpeza.

Sinto que dessa vez eu estava mais calma, entendendo mais meu corpo a minha respiração. Eu consegui ficar mais tempo submersa, de olhos abertos, vendo os movimentos da tinta na água. Consegui entrar mais em um estado de meditação concentrada em mim e deixando que os pensamentos viessem e passassem e em nenhum momento eu me desesperei com a falta de ar. Eu aproveitei as imagens da tinta dançando na água e colorindo meu olhar, aproveitei o silêncio, a calmaria e consegui ouvir o meu corpo. Consegui realizar essa mesma ação em torno de 7 vezes.

Não sei dizer se esse pequeno ritual mudou realmente algo em mim, mas só do fato de eu não ter sentido mais tanto medo, de conseguir ouvir meu corpo e de me sentir mais calma depois já é uma grande mudança.

As imagens

Mesmo que eu tenha sentido a ação mais calma, o vídeo resultante ficou mais denso. A água vai escurecendo e meu rosto desaparece no meio da tinta. Gosto também da constância: cada parte do vídeo tem exatamente o tempo que eu aguentei ficar submersa, dando mais o caráter de ritual. Ainda não gosto muito do meu rosto, mas sei que são complexos meus com a minha imagem e é algo que ainda estou trabalhando. Eu experimentei alguns recortes do vídeo para incluí-lo na instalação, mas acho que a versão final só vai ser feita na montagem.

Acho que uma breve relação que consigo fazer com essas imagem é com a Ofélia de Hamlet

Só para brincar com a densidade do resultado final eu fiz esse vídeo com base em uma das musicas do artista MuepEtmo. Gostei do resultado e seria interessante apresentá-lo com som na exibição de filmes que talvez faremos.

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