so…I have a secret

English:

I know that the days are getting faster and faster, that the final show and my final assessment are coming, and that the facilities access and opportunities that Camberwell’s academic environment has provided me in the last few years are ending. I know that now I should be using my whole energy focused for the final show so that everything happens well in the assembly so I can report here in this blog. However, I admit that I spent some mornings fooling around in the ceramics studio- and this is making me very happy.

In February of this year, at a workshop during the Low Residency, I had my first (adult) experience with pottery. I remember being thrilled and frustrated at the same time because using the potter’s wheel (throwing) seems to be a lot easier than it really is.

After those first few moments, it took me quite a long time to really get the courage and experience to try pottery again. Maybe I thought I would waste time since this practice is not entirely related to my artistic process or the final show. Then, only now, realizing that perhaps this was an opportunity I would not have again, I ventured to create some pieces. At first, I started making objects in order to actually use them in the final show, as they could serve as containers for the water that erases the drawings in the fluid self-portraits. I like the idea of having around me things I’ve made or that have some history and a meaning for me.

The first day I felt that I was struggling with the material that kept dissolving into my hands over and over again, I felt like I was trying to control and form something that was reacting, trying to control me back. When trying to sculpt, rework or make it perfect the material usually reached a point that was impracticable.  I was hating this situation. Seeing my dissatisfaction my colleague Arlette (who is including pottery as part of her artistic practice), gave me an important tip: you have to be quick. That’s when I realized that yes, the material is also in control and this has to be respected, it has its own time in which my action is allowed.

On the second day I stayed in the studio I was able to glimpse a comprehension of this balance. I felt that many doors were opened, my mind was able to calm down and walk around, at the same time that I was focused on the action. I realized that my strength, feelings, and breathing are also very important to practice, I realized that the pursuit of perfection is something unattainable and that we often need to accept what was done at the moment and continue, do it again.

What began with the willingness to make some pieces unfolded to the realization that the pottery act has much to do with the issues that I discuss in my artwork. It is about respecting the time, of perceiving our actions, of control, or even better: it’s about the permission of the lack of control that the material allows. One must understand and respect the element (clay or water) and be present, realizing the connections established with oneself. I noticed that the action in ceramics is very similar to the fluid blind self-portraits and that yes, it makes a lot of sense to include some of these pieces together with this work.

For me it is so important to do something completely different in the midst of such an intense process, the mind renews itself and the vision presents new connections.

Moreover, I felt useful. The satisfaction of seeing a useful object made by my own hands is magnificent, it is like turning a key and realizing that we have control of the world, that in fact everything has been built and that these various processes that often seem many distant and complicated are simple and just need basic knowledge and dedication.

My time is really running out and I will only have one more day of pottery work before the glazing and final firing stage, but I’m sure I’ll take this practice with me after the course, maybe just for fun, or perhaps integrating it with my practice.

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Português:

Eu sei que os dias estão passando cada vez mais rápidos, que falta muito pouco para o final show e a minha avaliação final (assessment) e que as facilidades e oportunidades que o ambiente acadêmico da Camberwell me proporcionou nos últimos anos estão acabando. Sei que agora eu deveria estar com a minha energia toda focada para o final show, para que tudo ocorra bem na montagem e que eu consiga registrar aqui no blog.  No entanto, admito que passei algumas manhãs “brincando” no ateliê de cerâmica- e isso está me fazendo muito feliz.

Em fevereiro desse ano, num workshop na Low Residency, tive a minha primeira experiência (adulta) com cerâmica. Lembro que fiquei encantada e frustrada ao mesmo tempo, pois fazer uma peça no torno mecânico parece ser bem mais fácil do que realmente é.

Depois desses primeiros momentos eu demorei muito tempo para realmente criar coragem e experimentar na cerâmica. Talvez eu achasse que estaria perdendo tempo, já que essa prática não está muito relacionada com meu processo artístico ou com o final show. Então, só agora, percebendo que talvez essa fosse uma oportunidade que não teria novamente, me aventurei na construção de algumas peças. A principio comecei a fazer objetos com o intuito de realmente usar no final show, eles poderiam servir de recipientes para a água que borra os desenhos nos autorretratos fluidos. Eu gosto da ideia de ter ao meu redor coisas que eu mesma fiz ou que tem alguma história,  e um  significado para mim.

No primeiro dia senti que estava brigando com o material que se desfez na minha mão várias e várias vezes, sentia que estava tentando controlar e formar algo que estava reagindo, tentando me controlar de volta. Ao tentar rebuscar, retrabalhar ou deixar perfeito o material chegava em um ponto que se desfazia. Com isso comecei a odiar essa situação. Vendo a minha insatisfação a minha colega Arlette (que está incluindo a cerâmica como parte da sua pratica artística), me deu uma dica importante: você tem que ser rápida. Foi aí que percebi que sim, o material também está no controle e isso tem que ser respeitado, ele tem um tempo próprio que permite a minha ação.

No segundo dia que fiquei no ateliê eu consegui começar a entender esse equilíbrio. Sinto que muitas portas foram abertas, minha mente conseguiu se acalmar e passear, ao mesmo tempo em que estava concentrada na ação. Percebi que a minha força, sentimentos e respiração também são muito importante para a prática, percebi que a busca pela perfeição é algo inatingível e que muitas vezes é preciso aceitar o que foi feito no momento e continuar, fazer novamente.

O que começou com a vontade de fazer algumas peças se desdobrou para a percepção de que o ato da cerâmica tem muito a ver com as questões que eu discuto no meu trabalho artístico. Se trata de respeitar o tempo, de perceber suas ações, do controle, ou melhor: da permissão do descontrole que o material permite. É preciso entender e respeitar o elemento (o barro ou a água) e estar presente, percebendo as conexões estabelecidas consigo mesmo. Percebi que a ação na cerâmica é muito parecida com os autorretratos cegos fluidos e que sim, faz muito sentido incluir algumas dessas peças junto com esse trabalho.

Para mim está sendo tão importante fazer uma coisa completamente diferente no meio de um processo tão intenso quanto esse, a mente se renova e o olhar apresenta novas conexões.

E além de tudo eu me senti útil. A satisfação de ver pronto um objeto útil feito pelas suas próprias mãos é magnifica, é como virar uma chave e perceber que nós temos o controle do mundo, que na verdade tudo foi construído e que esses vários processos que muitas vezes parecem muitos distantes e complicados são simples e só precisam de um conhecimento básico e dedicação.

Meu tempo está realmente acabando e só terei mais um dia de trabalho na cerâmica antes da etapa do glazing e da queima final, mas tenho certeza que levarei essa prática para depois do curso, talvez apenas como divertimento, ou talvez integrando com a minha prática.

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