Full Body Blind Self Portrait

English:

I still feel very uncertain about the value of these drawings as art, or whether they are just part of a process or a personal ritual. Yet I decided to resume my practice and try to take a step beyond what I had done before.

Since I started this process of self-portraits my focus was directly on the face: I was interested in the eyes, the changes and the marks. I was looking for a deeper connection with who I am, with my inner self, trying to perceive how the face was built from the unconscious and materialized through my hands. Many times these faces face me, and they end up becoming another entity. I feel that somehow they represent me. However, as each is materialized on paper with different (often defragmented) features and expressions and after being dissolved by water, I realize that each has become a character with a story of its own. I feel they tell stories that I do not even know myself, but they are marks or records of my being, of my narratives.

So I started to wonder: why am I focused only on my face? Why do I have difficulty understanding that my body is also part of these stories? Or maybe I have a hard time facing my body intimately and having to face all the personal issues related to it.

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One night, inside my bedroom, after a full day of trying, I faced the blockage and did the first experiments. I used the same paper I used in Scars– because it is fragile, but at the same time water-resistant, paper. The first drawing was done quickly and I did not pay attention to details, I just wanted to finish, I seemed to be trying to avoid that direct and raw look. I tried a second drawing changing the position of the mirror and I felt even worse, and my mind was flooded with judgments. My body began to ache and I almost gave up: ‘what is the value of this work? it’s just a bunch of childish scribbles on a piece of paper, am I wasting my time? Losing money and potential? I should be doing a more serious art and not just something that comes back to me, who cares about me? ‘ I thought relentlessly.

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After a few hours and lots of encouragement from my partner Ale I faced the mirror again, I did some more drawings and with that, I began to feel a little more comfortable with the action, with my naked body and with the uncontrollable wave of judgments. And I started to do some experiments overlapping some drawings because after all I am a body and a mind in constant movement and change and I wanted to try to record this. I tried throwing the water and seeing the drawings merge, blur and get washed, and the trace of that water on the paper reminded me again of the scars and memories in our bodies.

It was difficult to take these drawings from my intimate bedroom and put them in the studio, but from the moment they were placed on the wall together, they began to build their stories. Donald quickly praised the work and invited me to exhibit them at the Raum Gallery Wall in Camberwell’s Learning Zone. I was a bit doubtful as it was such an initial and intimate process, but at the same time I accepted it because I thought it might be an interesting opportunity to see these drawings on the wall in the context of an exhibition and not just as part of a process or a personal ritual

Undoubtedly, full-body drawings open up questions and discussions that are much larger and deeper than just being a process of self-knowledge. They are also related to self-image, body acceptance, femininity, and other issues attached to it that I still do not feel comfortable approaching in my work. I still have doubts related to this practice and I still have problems in realizing its value as art, but I am happy to have experienced and face a new perception of myself that expands beyond my face.

About the material, I think the paper is not right: I would like one to continue with the fragility, but at the same time to retain more water, so that the marks become more alive.

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Português:

Ainda me sinto muito incerta sobre o valor desses desenhos como arte, ou se são eles apenas parte de um processo, ou um ritual pessoal. Ainda assim decidi retomar a pratica e tentar dar um passo além do que havia feito antes.

Desde que comecei com este processo dos autorretratos meu foco foi diretamente o rosto: estava interessada nos olhos, nas mudanças e nas marcas. Estava procurando uma conexão mais profunda com quem eu sou, com o meu íntimo, buscando perceber como o rosto se construía do inconsciente e se materializava pelas minhas mãos. Muitas vezes esses rostos me encaram acabam se tornando uma outra entidade. Sinto que de alguma forma eles me representam. No entanto, como cada um é materializado no papel com feições ou expressões diferentes (muitas vezes desfragmentadas) e após serem dissolvidas pela água, percebo que cada um virou personagem com uma historia própria. Sinto que eles contam histórias que nem eu mesma tenho o total conhecimento, mas são marcas ou registros do meu ser, das minhas narrativas.

Então eu comecei a me perguntar: porque eu estou focada apenas no rosto? Porque eu tenho dificuldade de entender que meu corpo também faz parte dessas histórias? Ou talvez isso seja uma dificuldade de encarar o meu corpo  intimamente e ter que enfrentar todas as questões pessoais relacionadas a ele.

Em uma noite, no íntimo do meu quarto, depois de passar o dia inteiro tentando,  enfrentei o bloqueio e fiz os primeiros experimentos. Usei o mesmo papel que usei na obra Cicatrizes- por ser um papel frágil, mas ao mesmo tempo resistente à água. O primeiro desenho fiz rapidamente e não me atentei muito a detalhes, eu só queria acabar, pareci que estava tentando evitar aquele olhar direto e cru.  Tentei um segundo desenho mudando a posição do espelho e me senti pior, começaram a enxurrada de julgamentos. Meu corpo começou a doer e eu quase desisti: ‘afinal qual o valor deste trabalho? é só um monte de rabiscos infantis numa folha de papel, será que estou perdendo tempo? Perdendo dinheiro e potencial? Eu deveria estar fazendo uma arte mais séria e não apenas algo voltado a mim, quem se interessa por mim?’, pensava. 

Depois de algumas horas e muito incentivo do meu parceiro Ale eu enfrentei de novo o espelho, fiz mais alguns desenhos e com isso comecei a me sentir um pouco mais confortável com a ação, com o meu corpo nu e com os julgamentos incontroláveis. E comecei a fazer algumas experiências sobrepondo alguns desenhos pois afinal eu sou um corpo e uma mente em constante movimento e mudança e queria tentar registrar isso. Experimentei jogando a água e vendo o desenho se mesclar, borrar e lavar, e o rastro dessa água no papel me lembrou novamente das cicatrizes e das memórias do nosso corpo.

Foi difícil tirar esses desenhos do íntimo do meu quarto e colocá-los no estúdio, mas a partir do momento em que eles foram para a parede, juntos, começaram a construir suas histórias. Rapidamente Donald elogiou o trabalho e me convidou para expor na Raum Gallery Wall na Learning Zone de Camberwell. Fiquei um pouco em duvida por ser um processo tão inicial e tão intimo, mas ao mesmo tempo aceitei por achar que poderia ser uma oportunidade interessante ver esses desenhos na parede, no contexto de uma exposição e não apenas como parte de um processo ou de um ritual pessoal.

Sem dúvidas os desenhos de corpo inteiro abrem questionamentos e discussões bem maiores e mais profundas do que apenas serem um processo de autoconhecimento.  Eles  também estão relacionados a autoimagem, aceitação do corpo, feminilidade e outras questões ligadas a ele que eu ainda não me sinto confortável de abordar no meu trabalho.  Eu ainda tenho duvidas relacionadas a esta prática e ainda tenho problemas em perceber o seu valor como arte, mas estou feliz de ter experimentado e enfrentar uma nova percepção de mim que vai além do meu rosto.

Sobre o material, acho eu o papel não é o certo: gostaria de um que continuasse com a fragilidade, mas que ao mesmo tempo retenha mais água, para as marcas se tornarem mais vivas.

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