Experience: Rio (River) # 2 – Winter and Spring

English:

With the idea of doing an artistic ritual with the 360 camera and still not completely satisfied with the site of the first tests, we (Ale and I) went on the search of a new place of recording. We wanted a spot near the water and with a big, imposing tree and a little distance away from the city, and preferably not in the middle of a path or race track. Before I came to London I remembered that some friends talked about the Hampstead Heath Park, one of the oldest in London, which has some lakes open to the public for swimming, an incredible view of the city and is also known as being a very powerful park, in which people used to perform rituals and praise nature (I do not know if this last statement is true).

We spent a whole afternoon walking and feeling the park, trying to find a place that would communicate something to me. We walked through several beautiful old trees, one of them even had a bit of glitter and smelled of incense, as if someone had already done something there. Only after walking a little more did I find a place a little further from the official entrance of the park, a very old tree (I believe it is an oak or chestnut tree), beautiful, with a kind of “table” among its branches. I felt that it had stood there for many generations and that it had many stories to tell. Even after finding this tree I still walked through other parks a little closer to my house, but no one seemed as powerful and friendly as that.

With the place chosen I started the preparation. I wanted to do the action on my next free day to present during the next POP-UP exhibition that I was organizing. I chose my clothes, all black, with a heavy makeup in the eyes and some necklaces that represented a little of my origins and spiritual connections (guides – necklaces of protection related to the Umbanda religion).

In this ritual I wanted 3 moments to be represented (which are also the properties of water): cleaning, transformation, and coagulation (aggregation). Therefore the colors of the “bath” pass from dense water to clean water. The action starts in black, purple/red, shades of blue, an abundance of pure transparent water and finishes when I lift the dome and the image turns into “reality”. The object that I used to pour the water is one of the small bowls that I did in ceramics, I realized that using a handmade element would be a positive addition. 

Even though this ritual is not directly connected with religions or institutions it relates with the Elements, Nature and Time. For this work, I opened the Tarot and drew the Devil’s card. It’s a card that has been with me for some years. Often misunderstood or stigmatized, it symbolizes the direct contact with one’s creative and primary forces, and indicates the power of following one’s instinct and being honest with your roots and desires.

WINTER (cleaning):

It was the middle of March, practically the end of winter. We had an unexpected blizzard the day before our scheduled date for the experience. Even so, with the super help of Ale (my eternal and beloved companion), we faced the cold and the snow and continued to carry out my artistic action.

Even though I had everything organized in my head, when in practice and facing the external environment everything was different. It was very cold and the set-up of the camera inside the acrylic dome was very complicated. I could not set it in a perfect position that would hide the cake-shaped marks of the dome. Until that moment I had not been able to find another dome, something that was not a cake cover, a little more professional that did not have the marks on the edge and nor the handle on top. But I did not let this problem stop me and I carried on with the experience.

It was very cold. The place was practically inhospitable. The wind beat very hard, moving the dome, and it snowed as we made the experience. Due to the circumstances of nature, I could not put all the elements I wanted (candles, incense), but as the Devil card had said: it’s a direct connection, so maybe all those other elements were not needed for what I wanted to do.

I was able to perform the action on the second attempt, the first one was lost due to technical problems with the camera and the battery of my cell phone. In the end, we were suffering from the cold, I began to think that we would be sick and that maybe it was not a good idea to continue this work. Because used water our hands were frozen and we wanted to get out of there as fast as possible. When it was over and we went to a warmer place I felt like crying, I felt I was doing something wrong. The cold condition has made me come in contact with dense and intimate feelings that I often try not to get into. When I saw the recorded material I hated it, the marks of the acrylic dome were very evident, I felt like a ridiculous amateur and guilty for putting myself and Ale in a situation that was not very successful. We were introspective during rest of the day, but he supported me to go there and try it again in another opportunity.

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SPRING EQUINOX (transformation)

A few days after the snow the winter ended and the Spring Equinox happened. I thought this would be the perfect time to go back to the park, to the tree, and try again.

The space was completely different, a bit more friendly. The sun was bright, shedding a yellow light over the green grass. The place was still practically empty, with one or another person jogging in the background. It was still very cold and windy and again it was difficult to position the improvised dome.

I repeated the action more calmly, but due to the environment and the light, the colors of the water no longer had so much force. So I was not satisfied with what we did either. Seeing the two materials together I realized that I was not redoing the work but taking a new step with it, a step towards transformation. At that point, I realized that the ‘Experience: Rio (River) # 2′ would be a trilogy. Winter – cleaning, spring – transformation and summer – Coagulation.

I have called this work Rio, in reference to the ever-changing water movements and the cycles of nature.

 

 

Português:

Já com a ideia de fazer um ritual artístico para a câmera 360 e ainda não completamente satisfeita com o local dos primeiros testes eu , acompanhando pelo Alê, partimos pela busca de um local de gravação. Queria um local perto da água e com uma árvore grande e imponente e que fosse um pouco afastado e não no meio de um caminho ou pista de corrida. Antes de eu vir para Londres lembro que alguns amigos comentaram do parque Hampstead Heath, um dos mais antigos de Londres, que possui alguns lagos abertos para o público nadar, uma incrível vista para a cidade e que também era conhecido por ser um parque muito poderoso em que pessoas iam fazer rituais e enaltecer a natureza (não sei se essa última informação é verídica).  

Passei uma tarde inteira caminhando e sentindo o parque, tentando achar um lugar que comunicasse algo para mim. Passei por várias árvores antigas lindas, uma delas até tinha um pouco de glitter e cheirava a incenso, parecia realmente que alguém já tinha feito algo por lá. Só depois de andar um pouco mais achei um lugar um pouco mais distante da entrada oficial do parque, um árvore muito antiga (eu acredito que seja um carvalho ou castanheira), linda com uma espécie de “mesa” entre seus galhos. Senti que ela estava lá por muitas gerações e que poderia ter muitas histórias para contar. Mesmo depois de ter encontrado essa árvore eu ainda caminhei por outros parques um pouco mais próximos da minha casa, mas nada parecia tão poderoso e amigável quanto aquela.

Com o lugar escolhido eu comecei a preparação. Queria fazer a ação no meu próximo dia livre para apresentar na próxima exposição POP-UP que eu estava organizando. Escolhi minha roupa, toda preta com uma maquiagem pesada nos olhos e alguns colares que representavam um  pouco da minha origem e conexões espirituais (guias – colares de proteção relacionada a Umbanda). 

Dentro desse ritual queria que 3 momentos fossem representados (que também são propriedades da água): limpeza, transformação e coagulação (agregação). Por isso, as cores do “banho” passam da água densa até a água limpa. A ação passa do preto, roxo/vermelho, tons de azul, uma abundância de água pura transparente e depois eu tiro o domo e a imagem se transforma em “real”. O objeto que separei para jogar a água é o de um pequeno bowl que fiz na cerâmica, achei que usando um elemento que eu própria fiz agregaria no trabalho

Esse ritual não tem nenhuma ligação com religiões ou instituições, mas sim tem com os elementos, a Natureza, o tempo. Para esse trabalho eu abri o Tarot e saiu a carta do Diabo. Uma carta que já me acompanha a alguns anos, uma carta muitas vezes incompreendida ou estigmatizada, mas que simboliza o contato direto coma as forças criativas e primárias. Uma carta que indica seguir o instinto e ser honesto com as suas raízes e suas vontades.

O INVERNO (limpeza): 

Estávamos no meio de Março, praticamente no fim do inverno. Tivemos uma nevasca inesperada um dia antes do marcado para a minha experiencia. Mesmo assim, com a super ajuda do Alê (meu eterno amado companheiro), enfrentamos o frio e a neve e seguimos para a realização da minha ação. 

Mesmo depois de já ter tudo organizando na minha cabeça, na prática e em um ambiente externo ficou tudo diferente. Estava muito frio e o set-up da camera dentro do domo de acrílico foi bem complicado. Não consegui deixar na posição perfeita que escondia as marcas de forma de bolo do domo. Até aquele momento eu não tinha conseguido achar outro, algo que não fosse uma cobertura de bolo, um pouco mais profissional que não tivesse as marcas na borda e nem o pegador no topo. Mas não deixei que esse probleminhas com os materiais me parassem e continuei com a experiência.

Estava muito frio. O local era praticamente inóspito. O vento batia muito forte movendo o Domo e começou a nevar enquanto fazíamos a experiencia. Devido as circunstâncias da natureza eu não consegui colocar todos os elementos que eu queria (as velas, o incenso),  mas como a carta do Diabo disse: é uma conexão direta, então talvez todos esses outros elementos não fossem necessários para o que eu queria fazer.  

Consegui realizar a ação na segunda tentativa, a primeira foi perdida devido a problemas técnicos com a câmera e a bateria do meu celular. No final estávamos sofrendo com o frio, comecei a pensar que ficaríamos doentes e que talvez não tenha sido uma boa ideia continuar com esse trabalho. Por termos mexido com água nossas mãos (minha e do Ale) estavam congeladas e  queríamos sair de lá o mais rápido possível. Quando acabou e fomos para um lugar mais quente fiquei com vontade de chorar, sentia que estava fazendo alguma coisa de errado. As condições do frio e da natureza me fizeram entrar em contato com sentimentos densos e íntimos que muitas vezes tento não entrar. Quando eu vi o material gravado eu odiei, estava muito evidente das marcas do domo de acrílico, me senti amadora ridícula e culpada por que coloquei eu e o Ale em uma situação que não foi muito bem sucedida. Ficamos introspectivos o resto do dia, mas ele me apoiou a ir lá e fazer de novo em outra oportunidade.

EQUINÓCIO DE PRIMAVERA (transformação)

Alguns dias depois a neve, o inverno acabou e aconteceu o Equinócio de Primavera. Achei que esse seria o momento perfeito para voltar para o parque, para a árvore, e tentar novamente. 

O espaço estava completamente diferente, um pouco mais amigável.  O sol batia, a grama verde, com uma luz amarela. O lugar ainda continuava praticamente vazio, com uma ou outra pessoa correndo no fundo. Ainda estava bem frio e ventando e de novo foi difícil acertar o domo improvisado. 

Eu repeti a ação com mais calma, mas devido ao ambiente e a luz as cores da água já não tiveram tanta força. Por isso eu também não fiquei muito satisfeita com o que fizemos. Vendo os dois materiais juntos eu percebi que eu não estava refazendo o trabalho e sim dando um novo passo com ele, um passo voltado à transformação. Nesse ponto percebi que na verdade a ‘Experiência: Rio (River) #2’ seria uma trilogia. Inverno – limpeza, Primavera – transformação e Verão- Coagulação.

Eu chamei esse trabalho de Rio, em referência aos movimentos da água em constante mudança e aos ciclos da natureza.

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