Fluid Blind Self Portrait

English:

Soon after the intense and productive days at Low Residency, I realized that the only to get over with this ridiculous “creative blockade” situation that I had put in was by working, organizing and putting my thoughts into practice. I realized that I have to deal with my artistic practice with professionalism and responsibility, in the same way, I deal with paid work. I started slowly, gathering some materials, putting some things on the wall and taking up a small space in the studio. One space for me to sit down, organize myself and produce. I stuck some plans on the walls about what I would like to do in the final show and from that, I started to trace my path and strategies.

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One of the last activities we had in the Low Residency was the visit to the Tate Exchange and there, over a table with some materials and mirrors I did more blind self-portraits. I’d started this daily practice in the first period of the course, in an attempt to discover myself, along with the relation of my gaze and my gesture on paper, seeking a connection with myself. I’d made a little more than 50 drawings and gave up. After that day at Tate, I began to question myself about why I abandoned this practice. Is it because I did not value blind drawings as art? Did I think it didn’t make sense anymore and I was wasting time? Did I just get sick of this process, or it was too intimate and I didn’t want to expose myself?

Maybe it was all these reasons together. I remember that the last ones I drew were no longer a dialogue with myself, and had changed into just an obligation, a task. I’d felt that I was doing more of them in a hurried way, just to get rid of that “duty” and because if this the process and practice totally lost meaning and I decided to do other things.

Thinking about these drawings now I feel that during this last period I could do them again, seeing my reaction to this practice after a little over a year. And I also thought that maybe when I got back to the “origins” it could be a good beginning to spark the next works. I understood that I needed to make bigger drawings and change the materials, the black tracing pen no longer pleased me, I needed these drawings to have colors, life, with well-defined marks. I also perceived the I need to bring another element into that internal dialogue: water.

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In some recent research while trying to understand why water plays such an important role in my work I have come across some symbologies and meanings about water as being the source of life, a mean of purification, and a regenerative center. But what enchanted me the most was the classification of water as an ‘undifferentiated mass representing the infinity of possibilities’, which contains all the promises of development but also the threat of destruction (dissolution).

Water is in movement and eminence, so bringing it to the drawing makes sense. It marks and records this potential power of the moment and movement of the blind drawing, or rather the movement that the deep look at myself needs. After all, I define myself as being in a constant movement of construction and deconstruction. Alê suggested that I could use a material of his own, a very old set of watercolors sticks that have traveled the world and was forgotten in the middle of a lot of material in our room. This watercolor sticks made it easy for water to mark its trajectory.

After following this process a few times: to look at every part of my face, building a dialogue with myself, then translating this dialogue into an image (a blind drawing) and to see it dissolve, almost completely, freed by the paths of water I realized that the importance of this practice for me was not in the final result but in the process, in the action. The practice allowed me then to get in contact with deeper and more personal points of my essence and my being. That is why I believe that this practice is more related to a ritual, a subjective construction that takes place during the deconstruction by the water that leaves marks after drying, coagulating a moment, a sensation, a feeling. Each drawing becomes a character of this ritual, this movement.

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In this work, I can also make a reference to the myth of Narcissus. But unlike myth, the greatest enchantment is not the beautiful and perfect reflection, but the deformed and dissolved, only possible by the movement and transformation that water creates on paper.

I still do not know if this practice has any artistic value or If is just something I do for myself. I did some experiments sharing my action, both drawing and draining water in little Lives on Instagram. But I am still very shy to show this process and these results, maybe I have a hard time sharing things that are very intimate for me, and I have a great fear of judgments and rejections.

So maybe this is my next step.

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Português:

Logo depois dos intensos e produtivos  dias na Low Residency eu percebi que a única forma de sair dessa ridícula situação de “bloqueio criativivo” que eu havia me colocado era trabalhando, me organizando e colocando os pensamentos em prática. Percebi que tenho que lidar com minha prática artística com profissionalismo e com responsabilidade, como eu lido com trabalhos pagos. Comecei aos poucos, levando alguns materiais, colocando algumas coisas na parede e ocupando um pequeno espaço no estúdio. Um espaço próprio para eu sentar, me organizar e produzir. Coloquei nas paredes alguns planos do que eu gostaria de fazer no final show e a partir disso fui traçando meu caminho e estratégias. 

Uma das últimas atividades que tivemos na low residency foi a visita ao Tate Exghange e lá, em uma mesa com alguns materiais e espelhos fiz mais alguns autorretratos cegos. Comecei essa prática diária no primeiro período do curso, na tentativa de me descobrir, junto com a relação do meu olhar e do meu gesto no papel, buscando uma conexão comigo mesma. Fiz um pouco mais de 50 desenhos e abandonei. Depois desse dia no Tate eu comecei a me questionar sobre o porque de eu ter abandonado essa prática. Será que é porque eu não dava valor aos desenhos cegos como arte? será que eu achei que não fazia mais sentido e eu estava perdendo tempo? será que eu só fiquei enjoada desse processo ou achava que era muita intimidade e não queria me expor?

Talvez tenha sido todos esses motivos juntos. Eu lembro que os últimos que fiz deixaram de ser um diálogo

constante comigo e se tornaram apenas uma  obrigação, uma tarefa. Sentia que estava fazendo mais e mais rápido só para me livrar desse “dever” e nisso o processo  e a prática perderam totalmente o sentido e eu fui fazer outras coisas. 

Pensando sobre esses desenhos fiquei com vontade de agora no último período voltar a fazê-los e ver como que depois de um pouco mais de um ano eu olhava para mim. E também pensei que, talvez ao voltar

 às “origens” possa ser um bom início para deslanchar os próximos trabalhos. Dessa vez entendi que eu precisava fazer desenhos um pouco maiores e mudar de material, a caneta de traço preto já não me agradava mais, precisava que esse desenhos tivessem cores, vida e que as linhas fosse bem marcadas. Também entendi que precisava trazer outro elemento para dentro desse diálogo interno, a água. 

 Durante algumas pesquisas recentes na tentativa de entender o porque da água ter um papel tão importante no meu trabalho eu me deparei com algumas simbologias e significados sobre a água como sendo a fonte de vida, meio de purificação e centro de regeneração. Mas o que mais me encantou foi a classificação da água como ‘massa indiferenciada que representa a infinidade de possíveis’, que nela contem toda as promessas de desenvolvimento mas também a ameaça de destruição (dissolução). 

Ela está no movimento e na eminência, então trazê-la para o desenho faz sentido.  Ela marca e registra esse poder potencial do momento e do movimento do desenho cego, ou melhor o movimento que o olhar profundo para mim mesma necessita. Afinal eu me defino como em movimento constante de construção e desconstrução. O Alê me sugeriu usar um material seu, uma lata bem antiga, de aguarelas em bastão que já viajou o mundo e que agora se encontrava no meio de um monte de material no nosso quarto. Esse material possibilitou que a água marcasse sua trajetória com facilidade. 

Depois de seguir esse processo algumas vezes: olhar para cada pedaço do meu rosto, construir um diálogo comigo, traduzir esse diálogo em uma imagem (um desenho cego)e vê-la se dissolver, quase que por completo, livre pelos caminhos da água que corre, entendi que a importância dessa prática para mim não estava no resultado final e sim no processo, na ação. A prática me possibilitou então em contato com pontos mais profundos  e pessoais da minha essência e do meu ser. Por isso acredito que essa prática está mais relacionada com um ritual, uma construção subjetiva que se desenrola em uma desconstrução pela água que depois de seca deixa uma marca, coagulando um momento uma sensação, um sentimento. Cada desenho de torna um personagem desse ritual , desse movimento. 

 Nesse trabalho eu consigo também fazer uma referencia ao mito de Narciso. Mas diferente do mito, o encantamento maior não se da pelo reflexo lindo e perfeito, mas sim pelo deformado, dissolvido, pelo movimento e transformação que a água coloca no papel. 

Ainda não sei se essa prática tem valor artístico ou é só algo que eu faço para mim. Fiz alguns experimentos compartilhando a minha ação, tanto do desenho quando do escorrido da água em pequenas Lives no Instagram. Mas ainda fico muito incomodada em mostrar esse processo e esses resultados, talvez eu tenha dificuldade em compartilhar coisas que são muito intimas para mim, talvez eu tenha um medo muito grande de julgamentos e rejeições. 

Então talvez esse seja meu próximo passo

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