Documenting

English:

I always enjoyed listening to stories, even though I was very shy as a young child. I was always curious and very interested in people and their narratives, even today one of my favorite things is listening to conversations on public transport, trying to imagine contexts and events. Maybe that’s why I’ve carried on professionally in the career of Videomaker, specialized in the documentary. After a while, in this area, my life turned my interests and studies to art, and I understood that I could have a voice and find ways to tell my own stories. And as I started researching  (and still am), I got to know (directly and indirectly) amazing people/artists, with a range of wonderful processes and narratives.

I believe that one of the great beauties of studying art in our time (especially the so-called contemporary) is the possibility of seeing and hearing and maybe even talking to our “research objects”. For me, YouTube is already the first place I go when I want to search for something or someone, books written by third parties or texts by critics are no longer as important as seeing and hearing the artists themselves with their questions, their techniques and producing pieces. Even in major museums and galleries, I realize that along with the traditional curatorial explanation text, some space is dedicated to videos of the artists, either inside the exhibition or in some online platform.

Being able to see and listen to the artists in action, often within their own ateliers, brings art and contemporary artists closer to us, I believe it even democratizes and demystifies this universe, often seen as closed and elitist. Seeing the processes and questions of others helps to break the stigma of the “genius”, the talented artist who is resting or “enjoying life” until a divine inspiration happens for him or her to create a masterpiece, and those who seek this life and are not Muses spend the rest of it poor and lazy. Seeing artists in their processes often helps in the perception of art as a work, as the fruit of study and effort, and can also inspire many other people to follow these paths.

Perhaps this interest is a feature of the contemporary, in which the macro-narratives, the saga of the hero, great epic stories involving people and great deeds have been replaced by micro-narratives, local smaller stories, closer people and everyday affairs. I think one great example of this change is the popularity of YouTubers and the kind of video and interaction in which the viewer feels close and friendly to completely unknown people.

On a short trip to Paris this year I realized today what interests me most in art today, whether classical or contemporary, is not only the technique, the talent or the historical context but the personal narratives of the artists. For example, while visiting an exhibition of Delacroix, with the works linked with the written parts about his life I started to try to build in my mind who he could have been as a person. And my heart was filled with joy when I saw a little black and white video of Monet painting in his garden, smoking a cigarette, with his dog in the background: I felt close to this so consecrated artist and he became human. I believe that seeing artists as humans is very important for the study and practice of art.

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For some time now I’ve been thinking of combining these two universes together, the video, the documentary with the art, the practice and the study. And realizing the importance and recent appreciation of this type of video makes me very excited. I have done some work of this kind in Brazil, recording performances and exhibitions, but this time my interest is directly in artistic practice, in inquiring and in processes. In March I was invited by Daisy, curator of the Camberwell Space Gallery, to produce a video with the artist Faisal Abud’Allah contextualizing the exhibition ‘Facets of a Community’. This was a great opportunity to use my video skills within the art universe.

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Doing a quick search I discovered some channels/platforms that work with this type of video: Atraves.tv/; TATE channel; Whitechapel Gallery Channel

I really want to get on with this idea of ​​making videos about creative processes and gallery shows. This is the first teaser of a project that will continue at the end of the master’s degree (my apologies for it being in Portuguese).

One day in a tutorial session, Jonathan asked me if my study and artistic practice helped me in the production of this kind of video. I said yes, but by actually getting myself immersed in the creative process, recording the process and telling the story of other artists helps me to produce my own art and find my voice.

I feel that every time I do a job like this I am not only helping in the dissemination of art, but also in the construction of a cultural memory of our contemporary times.

Português:

Eu sempre gostei de ouvir histórias. Apesar de ser muito tímida quando jovem eu sempre fui curiosa e muito interessada pelas pessoas e suas narrativas, e até hoje uma das minhas coisas preferidas é ouvir conversas alheias em transportes públicos, tentando imaginar os contextos dos acontecimentos. Talvez por isso que eu tenha seguido profissionalmente na carreira de Videomaker, especializada em documentário. Depois de um tempo nessa área a vida levou meus interesses e estudos para a arte, e entendi que eu poderia ter uma voz e arrumar formas de contar minhas próprias histórias. E a medida que eu fui (e sigo) pesquisando vou conhecendo (direta e indiretamente) pessoas / artistas incríveis com uma gama de processos e narrativas maravilhosos.

Acredito que uma das grandes belezas de estudar arte no nosso tempo (que alguns chamam de contemporâneo) é a possibilidade de ver, ouvir e quem sabe até conversar com nossos “objetos de pesquisa”. Para mim, o YouTube já se tornou o primeiro lugar que eu vou quando quero pesquisar algo ou alguém, os livros escritos por terceiros ou textos de críticos já não são mais tão importantes quanto ver e ouvir o próprio artistas com seus questionamentos, suas técnicas e produzindo trabalhos. Até em grandes museus e galerias estou percebendo que junto com o tradicional texto curatorial de divulgação um espaço é dedicado a vídeos dos artistas, seja dentro da exposição ou em alguma plataforma online.

Ver e ouvir os artistas em ação, muitas vezes dentro de seus próprios ateliês, torna a arte e os artistas contemporâneos mais próximos. Acredito que isso até democratiza e desmistifica esse universo muitas vezes visto como fechado e elitista. Ver os processos e questionamentos alheios ajuda a quebrar o estigma do artista “genial”, talentoso, que fica descansando ou “curtindo a vida” até uma inspiração divina acontecer para ele criar uma obra prima. Aqueles que buscam essa vida e não são agraciados pelas ‘musas’ passam o resto de seus dias pobres e preguiçosos. Ver os artistas em seus processos muitas vezes ajuda na percepção da arte como um trabalho, como fruto de muito estudo e esforço, e isso pode também inspirar muitas outras pessoas a seguirem esses caminhos. 

Talvez esse interesse seja uma característica do contemporâneo: as macro narrativas, a saga do herói, grandes historias épicas envolvendo pessoas e feitos grandiosos foram substituídas pelas micro narrativas, historias locais, pequenas, com pessoas próximas e assuntos cotidianos. Acho que um grande exemplo dessa mudança é a popularidade dos YouTubers e do tipo de vídeo e interação em que o espectador se sente próximo e amigo de pessoas completamente desconhecidas.

Em uma pequena viagem para Paris esse ano eu percebi que atualmente o que mais me interessa na arte, seja clássica, seja contemporânea, não é apenas a técnica ou o talento ou o contexto histórico, mas sim as narrativas pessoais dos artistas. Por exemplo, vendo uma exposição do Delacroix juntando os trabalhos com as partes escritas sobre a sua vida comecei a tentar construir na minha mente quem ele poderia ter sido como pessoa. E meu coração se encheu de alegria quando vi um pequeno vídeo preto e branco de Monet pintando em seu jardim, fumando um cigarro, com seu cachorro no fundo: me senti próxima desse artista tão consagrado, e ele se transformou em um ser humano. Acredito que ver os artistas como humanos é muito importante para o estudo e prática da arte.

Já faz algum tempo que venho pensando em formar e unir esses meus dois universos, o do vídeo, do documentário, com o da arte, da prática e do estudo. E perceber a importância e a recente valorização desse tipo de vídeo me deixa muito animada. Eu já fiz alguns trabalhos desse tipo no Brasil, registrando performances e exposições, mas dessa vez meu interesse está diretamente na prática artística, nos questionamentos e nos processos. Em março eu fui convidada pela Daisy, curadora da Galeria Camberwell Space, a produzir um vídeo com o artista Faisal Abud’Allah, contextualizando a exposição ‘Facets of a Community’. Essa foi uma grande oportunidade de usar minhas habilidades de vídeo dentro do universo da arte.

Fazendo uma pesquisa rápida eu descobri alguns canais/plataformas que trabalho com esse tipo de vídeo: Atraves.tv/ ; o Canal do TATE; e o Canal da Whitechapel Gallery

Tenho muita vontade de seguir com essa ideia de fazer vídeos sobre processos criativos e vídeos  de exposições para galerias. Esse é o primeiro teaser de um projeto que continuarei no final do mestrado ( perdão por ele estar em português).

Um dia em uma sessão de Tutoria, o Jonathan me perguntou se o meu estudo e prática artística me ajudavam na produção desse tipo de vídeo, eu disse que sim. Na verdade, ao ficar imersa no processo criativo, registrar o processo e contar a história de outros artistas me ajuda a produzir minha própria arte e encontrar minha voz.

Sinto que cada vez que ao fazer um trabalho como esse não estou apenas ajudando na divulgação, mas sim na construção de uma memória cultural do nosso tempo contemporâneo.

 

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