2017/2018 Between Flights #5

English:

I can only start this text with a very cliché comment: time always goes faster than I would like.

December 2017: another journey involving documents, luggage, airports, homesickness, expectations, and luggage. Another brief visit to São Paulo – Brazil, my city full of contradictions, so loved and hated in the same intensity, that embraces you and at the same time eats you alive. This was my third “trip back home” during the MA, and this time I feel it was different. In the first, from November 2016 to January 2017, my feeling was that I was building something because I was preparing myself to start writing the Brazilian dissertation, and getting into the gears of the London master’s degree and living in Europe. It was a time I took to research, write, resume contacts and enjoy with family and friends. When I returned to London earlier this year I already knew what was to be done and worked hard for that goal: writing the dissertation. The second time, in August 2017, I already knew that the time of only 1 month would be very short. The focus was only to kill the homesickness of the city, my friends, and family and defend the dissertation. I spent a lot of time enjoying my home and getting ready to finish this painful process that was the writing of the master’s degree.

This last time I came back was not in my initial plans, but I feel it was the most important. At first, I was prepared to be the same as the previous time, as if I were almost hidden, but it was not so. Even though I was very sick at first I wanted to see people, see friends, resume contacts, see what was going on in the city and enjoy every moment. I feel that this time I came back with another posture: I’m not a beginner, I’m ready to face and put myself out as an artist and professional. In addition, the formalized idea of joining my art studies with film studies and producing videos related to the creative process of artists with the intention of bringing art and artists closer to the public opened many doors and conversations in different places and people.

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I talked to a lot of people, I met some projects, I had some meetings, I worked in paid jobs and I continued filming the process of some artists. I’m sure some fruit will come from this. But even immersed in this fervent rhythm of production, contacts, meetings, and ideas, I feel that I have not been able to explore my artistic work in any way I would like. I have seen many things that have inspired me, I have built a new range of references, but I have to admit that at the end of the year I could not get them in order here and put into practice.

 

No matter how hard I try to perform, produce, run, evolve, participate, and be the best, I get extremely frustrated when I discover that I can not handle everything or that other people are doing what I should be doing. I need to understand and accept that my body and my mind need some time, that my practical experiences come after a process of reflection, and that leisure is very important in my process. So I say to myself: ‘calm down, breathe, trust and it’s okay. It will come soon: build!’

Maybe because of the summer, the end of the year, the weather or the memories I felt that this time São Paulo hugged me, appreciated and understood me. It was difficult to get on the plane by myself and return to London with the (unreal) feeling that I am missing out opportunities in São Paulo, which is my home. But I also understand that I have not yet finished my European journey and I still have a list of achievements. The most important of these is actually learning to live in the present in peace with uncertainty, even if some matters of the near future still take my sleep.

This year of 2018 is the time to focus and embrace the joy of being nomadic, play and experiment with the movements of images, land, water and what is mine. Only then will I be able to follow, to come and go, to run without suffering, but without forgetting where I came from and where I will return one day.

I am from my place, wherever I am.

 

Português:

Só posso começar esse texto com um comentário bem clichê: o tempo sempre passa mais rápido do que gostaria. 

Dezembro de 2017: mais uma jornada envolvendo documentos, malas, aeroportos, saudades, expectativas e bagagens. Mais uma breve visita a São Paulo- Brasil, minha cidade lotada de contradições, tão amada e na mesma intensidade odiada, que te abraça e ao mesmo tempo te come vivo. Esta foi minha terceira “volta para casa” durante o MA, e dessa vez sinto que foi diferente. Na primeira, de novembro de 2016 a janeiro de 2017, meu sentimento era o de estar construindo algo, pois estava ensaiando começar a escrever a dissertação brasileira,  e entrando nas engrenagens do mestrado londrino e na vida na Europa. Foi um tempo que aproveitei para pesquisar, escrever, retomar contatos e aproveitar com a família e amigos. Quando voltei para Londres no início do ano eu já sabia o que deveria ser feito e trabalhei duro para essa meta: escrever a dissertação. Na segunda vez, em agosto de 2017, eu  já sabia que o tempo de apenas 1 mês seria muito curto. O foco foi apenas matar as saudades da cidade, dos meus amigos e família e defender a dissertação. Passei bastante tempo aproveitando a minha casa e me preparando para a finalizar este processo dolorido que foi a escrita do mestrado.

Esta última vez que voltei não estava nos meus planos iniciais, mas sinto que foi a mais importante. A principio estava preparada para ser igual à vez anterior, como se eu fosse quase escondida, mas não foi assim. Mesmo estando muito doente no início eu queria ver gente, ver amigos, retomar contatos, ver o que estava rolando na cidade e aproveitar cada momento. Sinto que desta vez voltei com outra postura: não sou mais tão iniciante,  estou pronta para enfrentar e me colocar como artista e profissional. Além disso a idéia formalizada de unir meus estudos de arte com os estudos de cinema e produzir vídeos relacionados ao processo criativo de artistas com a intenção de aproximar/ desmistificar a arte e os artistas para o público me abriu muitas portas e conversas em diferentes lugares e pessoas. 

Conversei com muita gente, conheci alguns projetos, fiz algumas reuniões, trabalhei em trabalhos remunerados e acompanhei filmando o processo de alguns artistas. Tenho certeza que frutos partirão daí. Mas mesmo imersa neste ritmo fervoroso de produção, contatos, reuniões e idéias sinto que não consegui explorar meu trabalho artístico da forma que gostaria. Vi muitas coisas que me inspiraram, construí um novo leque de referências, mas tenho que admitir que neste fim de ano não consegui colocá-las em ordem por aqui e principalmente experimentar na prática.   

Por mais que eu me esforce a realizar, produzir, correr, evoluir, participar, e ser a melhor fico extremamente frustrada quando descubro que não consigo dar conta de tudo ou que outras pessoas estão fazendo o que eu deveria estar fazendo. Preciso entender e aceitar que meu corpo e minha mente necessitam de um tempo, que as minhas experiências práticas vêm depois de um processo de reflexões, e que o ócio é muito importante no meu processo. Então digo para mim mesma: calma, respira, confia e está tudo bem. Logo, logo: construa! 

Talvez por causa do verão, do clima de fim de ano ou das memórias senti que desta vez São Paulo me abraçou, me valorizou me entendeu. Foi difícil entrar no avião sozinha e voltar para Londres com o sentimento (irreal) de que estou perdendo oportunidades em São Paulo, que lá é meu lar. Mas também entendo que ainda não acabei minha jornada européia e ainda tenho uma lista de realizações. A mais importante delas é realmente aprender a viver no presente em paz com a incerteza, mesmo que alguns assuntos do futuro próximo ainda me tirarem o sono. 

Neste ano de 2018 é o momento de focar e abraçar a alegria de ser nômade, brincar e experimentar com os movimentos das imagens, da terra, das águas e o meu. Só assim poderei seguir, ir e vir, correr sem sofrimento, mas sem esquecer da onde eu vim e para onde um dia voltarei. 

Sou do meu Mato, aonde quer eu esteja. 

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