Minhocão

English:

In my Brazilian wandering this year I came across the Russian research artist Lena Kilina. She holds a doctorate in sociology from China and was in São Paulo researching issues related to spaces to “play” in the city. Her object of study is the Minhocão, a large viaduct in the center of the city, which due to popular spontaneous manifestations, is closed for cars on Saturday afternoon and Sunday, being enjoyed by pedestrians in the most diverse forms. We can see it as a way to re-appropriate the city.

The video I made is a conversation in a motion of the researcher with the plastic artist Paulo von Poser, one of those involved in the Parque Minhocão project to officially transform the highway into a park. The conversation was directed to the space used for “fun”, and the relationship that people build with the city. Another important point in the video is the dialogue was held in two different languages, demonstrating the cultural exchange that the space of the city can provide. In the middle of the ghost of the Reseach Paper, I think I ended up doing a video essay, an audiovisual product that brings up questions and theoretical discussions as well as a being an academic article. 

This production made me ponder and question about my productions. Doing a video like this is too far from my artistic production? Wouldn`t it also be an artistic expression of mine?Is another vision and relationship with the city part of my artistic self?So why not consider this video, which I thought, filmed and edited as part of my practice? In 2014 I participated in two artistic workshops that brought the wandering, the look and the relationship to the surroundings as an artistic process. At that time I made 2 collective works with this bias and some personal experiments and I believe that I bring it into my work: O right to take a time, to think, to contemplate and to move around the city aimlessly (flaneur).

 

 

The production of the video brought back to me these essential questions of my practice which had been left aside by the avalanche of theoretical affairs. The contemplation, the walk and the feeling of the city as an artistic process, creative, but also a political and social stance. To stand in a place originally designed for cars, without any trade or entertainment, just walking and exploring the space is an act and a position contrary to the haste and consumption of large cities. 

As the French thinker David Le Breton puts it:

 “Another way to connect with our interior is to walk”

“Yes, to walk in the cities, to wander without a concrete goal.”

“Not only Balzac, Flaubert also defended it, and for the situationists, this became a fundamental issue. Walking is another way to become aware of yourself, to notice your own body, your breathing, your inner silence. “

“And so walking, like silence, is a form of political resistance. When you leave the house and move around, you immediately face the interference of utilitarian criteria that perfectly show where you should go, for which way and by which means. “

“The march allows you to notice how beautiful the Cathedral is, how playful the cat hiding there, the colors of the sunset, for no purpose, because its whole purpose is this: contemplation of the world.””Hence the connection with madness.” 

Perhaps this is missing within me in this academic journey, the space to feel, look, play. To trust in the unpredictable. 

This video was exhibited at the Staged – the Street Photography Group Exhibition in Shanghai and was invited to join the Minhocão Biennial in November, to be held in conjunction with the X Biennial of Architecture in São Paulo.

Português:

Nos meus caminhos brasileiros deste ano eu cruzei com a artista pesquisadora russa Lena Kilina. Ela faz doutorado em sociologia na China e estava em São Paulo pesquisando questões referentes aos espaços destinados a ”jogar” e “brincar” (play) na cidade. Seu objeto de estudos é o Minhocão, uma grande avenida no centro da cidade, que devido a manifestações populares espontâneas, é fechada para os carros aos sábados à tarde e domingo, sendo usufruída por pedestres das mais diversas formas. Podemos perceber uma forma de se reapropriar da cidade. 

O vídeo que fiz se trata de uma conversa em movimento da pesquisadora com o artista plástico Paulo von Poser, um dos envolvidos no projeto Parque minhocão para transformar a rodovia oficialmente em um parque. A conversa foi direcionada para o espaço de “diversão”, e a relação que as pessoas constroem com a cidade. Um outro ponto importante no vídeo é o do dialogo ter sido feito em duas línguas diferentes, demonstrando um intercambio cultural que o espaço da cidade pode proporcionar. No meio do fantasma do Research Paper, acabei realizando um vídeo essay (vídeo ensaio), um produto audiovisual que trás questionamentos e discussões teóricas assim como um artigo acadêmico. 

Esta produção me fez pensar e questionar a respeito das minhas produções. Será que fazer

um vídeo deste tipo está muito longe dos meus trabalhos artísticos?

Será que ele não também não é uma expressão artística minha? 

Uma outra visão e relação com a cidade não fazem parte do meu eu artístico? 

Assim, porque não considerar este vídeo, o qual pensei, filmei e editei como integrante da minha prática? 

Em 2014 eu participei de 2 workshops artísticos que traziam a caminhada, o olhar e o se relacionar com os arredores como processo artístico. Nesta época realizei 2 obras coletivas com este viés e alguns experimentos pessoais, assim acredito que a eu trago isto no meu trabalho: O direito ao tempo, ao pensamento, à contemplação, ao movimento sem rumo (flanar).

A produção do vídeo me trouxe de volta estas questões essenciais da minha pratica, que tinham sido deixadas de lado pela avalanche de afazeres teóricos. O contemplar, caminhar e sentir a cidade como processo artístico e criativo, mas também como um posicionamento político e social. Estar de pé em um lugar pensado para carros, sem comércio ou entretenimento, caminhando e explorando o espaço é um ato e um posicionamento contrário a pressa e consumo das grandes cidades.

Como coloca o pensador frances David Le Breton : 

“Outra maneira de nos conectarmos com o nosso interior é o caminhar”

“Sim, o caminhar nas cidades, o vagar sem uma meta concreta. Não apenas Balzac, também Flaubert o defendia. E para os situacionistas, isso se converteu num assunto fundamental. Caminhar é outra forma de tomar consciência de si, de reparar no próprio corpo, na respiração, no silêncio interior.”

“E por isso o caminhar, como o silêncio, é uma forma de resistência política. No momento de sair de casa, de movimentar-se, você de imediato se vê diante da interferência de critérios utilitaristas que evidenciam perfeitamente aonde você deve ir, por qual caminho e por qual meio.”

“A marcha lhe permite advertir como é bonita a Catedral, como é brincalhão o gato que se esconde por ali, as cores do pôr-do-sol, sem qualquer finalidade, porque toda sua finalidade é esta: a contemplação do mundo.”

“Daí a vinculação com a loucura.” 

Talvez isto que esteja faltando dentro de mim nesta jornada acadêmica, o espaço para sentir, olhar, brincar. Confiar no imprevisível.

Este vídeo foi exibido na exposição coletiva Staged – a Street Photography Group Exhibition em Xangai, e foi convidado para integrar a bienal do Minhocão em novembro, que acontecerá junto com a X Bienal de arquitetura de São Paulo. 

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

w

Connecting to %s