Tradução, 2017 (MA interim show)

English:

After a few months of intensive theoretical and written dissertation research, almost as part of my process of rediscovery as an artist, I ventured to produce a new work to integrate our Interim Show. The challenge was not to work with video but to do some new work that was inspired by it.

In the tutorials, Jonathan and I talked a few times about this desire to work “migrating” from one media to another. This interests me even when I think about the strategies of the art market, such as having an installation or a video and “physical” works (pictures or sculptures) that are not only illustrative but reinterpretations. So I started to play with these “translations”.

I have to admit that thinking about a work outside the universe of the video was very difficult, I felt like I had many alternatives and it trapped me. Even though I knew I  wanted a physical object, a sculpture, a photographic print, a painting or a drawing, I did not know where to begin. I came across the daily anguish of choices. ‘What if it is not the right choice? What if I make a sculpture while I should be painting? Is digital photography too simple?’

In the midst of all this I have still come across the difficulty of how to portray or “translate” a movement into a static work. I thought of several different things and saw some references, but my creative process comes when I’m active, so I started playing around with the motion capture of the panoramic photo app from my cell phone. While   a panoramic photo is produced by moving the camera, I started to take pictures of moving objects from a fixed point. I was interested in recording failures caused by such situations, it was as if the camera tried to record a moment but failed because of the speed. I felt that the “errors” (glitches) present an intension, a memory, a fragment of the movements.

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In these exercises, the concept of Translation began to make more and more sense. The translation is generally referred to the interpretation of a text in a language and the production of a new text that resembles as much as possible to the original. According to the Dictionary of the Portuguese language, it is to transform exactly a word phrase or text from one language to another. But, I quote from the film Paterson (2016) “The translation is like taking a shower wearing a raincoat”. We perceive the surface of the text, however, but it is limited by the subtle differences between words and cultures. As if we see things through a veil. In addition, I personally relate to the translation because I am a foreigner in a city with other cultures and languages.

I brought the concept of translation linked to words for media, and I experienced the panoramic photos of a moving video. I chose the Whites video that represents the colors and feel of the British winter, almost forgotten within the summer months that I set up this work. And perhaps the choice of video was also a way of portraying the transformation of the city.

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When I took the photos, I realized that my biggest interest was in the flaws that they generated, and I chose to extend precisely those moments when the “problems” turned into hidden landscapes, also referring to the video that is the record of a winter landscape. I chose to select fragments of the images and place them vertically simulating cracks for “translated” realities and to emphasize this I printed them in a large-scale. The printing was done in smoky acetate to highlight the ceiling effect of the translation.

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The choice of place (hanging it in the middle of the room) also refers to the parallel worlds generated. I still intended it to be a subtle work and that both the work of colleagues and the presence of the spectators would be reflected and integrated by it. In an IMac positioned near the impressions, I also exposed the video that birth to the translations.

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I found the end result interesting but now I would have improved the quality of the photos so the print would have a better finish and I would assemble it differently. I would have hung it only with nylon threads and maybe with little metal tubes giving the structure the impression that the prints were floating. One point that caught my attention was the effect that the reflection of the sun made on the ground, and next time I intend to explore this point further.

 

Português:

Após alguns meses de intensa pesquisa teórica e escrita da dissertação, quase que como parte do meu processo de redescobrimento como artista, eu me aventurei em produzir um novo trabalho para integrar o nosso Interim Show. O desafio era não trabalhar com vídeo e sim fazer um novo trabalho que fosse inspirado nele. 

Nos tutoriais eu e o Jonathan já havíamos conversado algumas vezes sobre essa vontade de trabalhar “migrando” de uma mídia a outra. Isso me interessa até quando penso sobre as estratégias do mercado da arte, como por exemplo ter uma instalação ou um vídeo e obras “físicas” (quadros ou esculturas) que não sejam apenas ilustrativas, mas sim reinterpretações. Assim eu comecei a brincar com essas “traduções”.  

Tenho que admitir que pensar em uma obra fora do universo do vídeo foi bem difícil, sentia como se tivesse muitas alternativas e isso me travou. Mesmo sabendo que queria um objeto físico, uma escultura, uma impressão fotográfica, uma pintura ou um desenho, não sabia por onde começar. Me deparei com a angustia cotidiana das escolhas. E se não for a escolha certa? E se eu fizer uma escultura, enquanto deveria estar fazendo uma pintura? Será que uma fotografia digital é muito simples? 

No meio disso tudo ainda me deparei com a dificuldade de como retratar ou “traduzir” um movimento em um trabalho estático. Pensei em várias coisas diferentes e vi algumas referências, mas o meu processo criativo vem na prática e eu comecei a brincar com a captura de movimento do aplicativo de fotos panorâmicas do meu celular. Enquanto para produzir uma foto panorâmica quem se movimenta é a câmera, eu comecei a tirar as fotos de objetos em movimento a partir de um ponto fixo. Fiquei interessada falhas do registro causadas por essas situações, era como se a câmera tentasse registrar um momento, mas falhava devido a rapidez.  Sinto que os “erros” (glitches) apresentam uma intenção, uma memória, um fragmento dos movimentos. 

Nestes exercícios, o conceito da Tradução começou a fazer cada vez mais sentido. A tradução é geralmente referente a interpretação de um texto em uma língua e a produção de um novo texto que se assemelhe o máximo possível ao original. Segundo o Dicionário da língua portuguesa é transformar exatamente uma palavra frase ou texto de uma linguagem para outra. Mas, como diz uma fala do filme Paterson (2016) “A tradução é como tomar banho de capa de chuva”.  Percebemos a superfície, contudo, ela está limitada pelas diferenças sutis entre palavras e culturas. Como se víssemos as coisas através de um véu. Além disso me relaciono pessoalmente com a tradução por ser estrangeira em uma cidade com outras culturas e línguas.   

Eu trouxe o conceito de tradução ligado a palavras para mídias, e experimentei as fotos panorâmicas de um vídeo em movimento. Escolhi o vídeo Whites pois ele representa as cores e sensação do inverno britânico, quase que esquecido dentro dos meses de verão que montei este trabalho. E talvez a escolha do vídeo também tenha sido uma forma de retratar a transformação da cidade. 

Ao tirar as fotos percebi que o meu maior interesse estava nas falhas que elas geravam, e eu escolhi ampliar justamente estes momentos em que os “problemas” se transformavam em paisagens ocultas, também se referenciando ao vídeo que é o registro de uma paisagem invernal. Escolhi selecionar fragmentos das imagens e coloca-los na vertical simulando frestas para realidades “traduzidas” e para enfatizar isso imprimi em grande escala. A impressão digital foi feita em acetato fumê para ressaltar o efeito véu da tradução.

A escolha do local (pendurado no meio da sala) também é referência aos mundos paralelos gerados. Ainda tive a intenção de que fosse uma obra sutil e que tanto o trabalho dos colegas quanto a presença dos espectadores refletissem e se integrasse a ela. Em um IMac perto das impressões eu também expus o vídeo que deu origem as traduções.

Eu achei o resultado final interessante, mas agora eu teria melhorado a qualidade das fotos para a impressão ter um melhor acabamento e montado de outra forma. Eu teria pendurado apenas com fios de náilon e talvez com pequenos tubinhos de metais dando a estrutura para dar a impressão de que as impressões estavam flutuando. Um ponto que me chamou muita atenção foi o desenho que o reflexo do sol fazia no chão, da próxima vez eu pretendo explorar mais esse ponto. 

 

 

 

 

 

 

 

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