Turn your phone off and look around

English:

In 2015 I worked as an assistant curator in the ninth edition of the Live Cinema festival in Rio de Janeiro. The main guest that year was the German artist Robert Henke, famous for the band Monolake and for creating the Ableton Live software. To perform this role I researched and got deepened in his work with high powered lasers, and after a few months, I had the opportunity to watch the Lumiere II in Brazil and meet him in person. Today, almost 2 years later I was invited by my great friend, the teacher Marcus Bastos, to attend the premiere of Lumiere III here in London,  at the Barbican. Marcus was not able to attend and I had the privilege of sharing the night with Marcia Derraik, who coincidentally is one of the curators of the Live Cinema festival.

The artist works live by programming the laser movements to create complex images. The live performances Lumiere I, 2013 and Lumiere II, 2015 are similar but at the same time present a maturing of concepts and technology. In the Lumiere I one of the issues was the spontaneity of the images, opening space for errors and improvisations, while in the Lumiere II, he worked with complex images that were pre-programmed but manipulated in performance to present a cohesive body. One of the points of his work is the relation between image and sound with a synaesthetic aspect that goes beyond what is expected, is not only the sound that influences an image, it’s a sound ensemble that engages a set of images with a narrative of its own. The artist also works with an experimental language along with a Pop language, in Lumiere I and II complex and abstract images were mixed with words like LOVE. But for me, the most interesting aspect of his work is the use of the visual field, using smoke as a means of visualizing the risks of light, in this way he manages to create images beyond the screen, in an etherial and momentary space, turning the theater into an immersive environment for his creations.

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Robert Henke’s  creative process starts with experimentation. At the time of Live Cinema, I heard that it did not have the expensive lasers, so the presentations became an environment of study, experimentation, and creation. He states that his processes start from what dazzles him as an artist and that personal sensations in performances are very important. Some works happened by chance, for example, the ‘Destructive Observation Field’ installation, where a piece of plastic was accidentally melted by the laser, projecting fluid and organic images in his studio. 

Lumiere III’s debut night in 16.02, began with a Noise performance from the sound artist Tristan Perich. It was 40 minutes of sonorous musical noise, the first 20 were minutes incredible, I could observe the small nuances of sonority between the layers of noise analyzing each movement, after the first moment I entered in a trance. The noise around me led me to inner narratives linked to water, sea, beach and existentialist thoughts. I can classify it as a wonderfully excruciating experience. 

About the Lumiere III, I feel that he carried on with the performance, taking it to another stage, in addition to working with sounds, more colors and hyper complex images he got deepened in the exploration of the image beyond the screen, which led the audience to be attentive to all space. I felt that in some moments the lights “leaked” turning into remnants, sparkles and memory. Perhaps it was the time and place of life in which I was able to appreciate his work as a spectator, and not as an employee, that led me to other analysis, constructing new narratives and making me more inspired by each luminous composition.

I always surprise myself with Robert Henke as a person. At the beginning of each show he shyly steps on the stage and speaks his routine warnings. He introduces himself,  warning that he is present commanding the actions live and not even on the stage, his equipment is mounted together with the audience to see what is happening. It also prohibits the use of any light device during the display, because any extra focus of light will disrupt other viewers, then everyone turned off their cell phones. Generally after the performance, the artist makes 10 minutes (encore) extras destined for photos for the social networks, but unfortunately, in this premiére, we did not have this moment so the record will be marked in our memory. Another different indication was related to the complexity of the images: the artist invited everyone to explore the other spaces of the performance that were not directly connected to the screen and to even perceive the work with the eyes shut. In this way he proposed a change of how to perceive the lights and sound, allowing the work to touch the other senses.

Even after having seen and studied the other editions of the work, the Lumiere III came as a breath of fresh and more matured air, bringing the perceptive complexity of sound, light, and color to another cold London night.

http://www.roberthenke.com/

http://www.roberthenke.com/installations/destructive.html

http://www.roberthenke.com/concerts/lumiere.htmlhttp:/

http://www.tristanperich.com/

Português:

Em 2015 eu trabalhei como assistente de curadoria na nona edição do festival Live Cinema no Rio de Janeiro. O principal convidado daquele ano foi o artista alemão Robert Henke, famoso pela banda Monolake e por ser o criador do software Ableton Live. Para realizar essa função eu pesquisei e me aprofundei nos seus trabalhos com laser de alta potência e depois de poucos meses tive a oportunidade de assistir o Lumiere II no Brasil e conhecê-lo pessoalmente. Hoje, quase 2 anos depois, fui convidada pelo meu grande amigo, o professor Marcus Bastos, para assistir à première do Lumiere lll aqui no Barbican em

Londres. No fim o Marcus não pôde comparecer e tive o privilégio de compartilhar a noite com a Marcia Derraik, que coincidentemente é uma das curadoras do festival Live Cinema. 

O artista trabalha ao vivo programando os movimentos de laser para criar imagens complexas. As performances ao vivo Lumiere I, 2013 e Lumiere II, 2015 são semelhantes, mas ao mesmo tempo apresentam um amadurecimento de conceitos e tecnologia. No Lumiere I uma das questões era a espontaneidade das imagens, abrindo margem para erros e improvisos, enquanto no Lumiere II, trabalhando com imagens complexas pré-programadas e manipuladas na performance para apresentar um trabalho coeso.  Um dos pontos do seu trabalho é a relação entre imagem e som em um caráter sinestésico, que vai além do esperado,  não apenas o som que influencia as imagem, e sim um conjunto sonoro que engatilha um conjunto de imagens com uma narrativa própria. O artista também trabalha com uma linguagem experimental junto com uma linguagem Pop, no Lumiere I e II as imagens complexas e abstratas se mesclam com palavras como LOVE. Para mim, o mais interessante no seu trabalho é o  uso do campo visual, quando ele usa fumaça como meio para a visualização dos riscos de luz ele consegue que as imagens se criem além da tela, em um espaço etéreo e momentâneo, transformando o teatro em um ambiente imersivo para sua criação.

O processo criativo e Robert Henke parte da experimentação. Na época do Live Cinema, ouvi que ele não possuía os lasers pois eles eram muito caros, então as apresentações se tornavam um ambiente também de estudo, experimentação e criação. Ele mesmo colocou que seu processo parte do que o deslumbra como artista e que as sensações pessoais nas performances são muito importantes. Alguns trabalhos aconteceram por acaso, pois ele estava aberto ao momento, por exemplo a instalação ‘Destructive Observation Field’ em que um pedaço de plástico foi acidentalmente derretido pelo laser, projetando imagens fluidas e orgânicas, em seu estúdio.

No dia 16.02, a noite de estreia do Lumiere III começou com uma performance de Noise do artista sonoro Tristan Perich. Foram 40 minutos de ruído sonoro musical. Os primeiros 20 minutos incríveis: consegui observar as pequenas nuances de sonoridade entre as camadas de ruído analisando cada movimento, após o primeiro momento entrei em um transe. O ruído ao meu redor me levou a narrativas internas ligadas à água, mar, praia e pensamentos existencialistas. Posso classificar como uma experiência maravilhosamente torturante. 

Sobre o Lumiere III, sinto que ele caminhou com a performance, levando-a para mais um estagio, além de trabalhar com sons, mais cores e imagens hiper complexas ele aprofundou na exploração da imagem além da tela, o que levou a plateia ficar atenta a todo o espaço. Senti que em alguns momentos as luzes “vazavam”, virando resquícios, brilhos e memória. Talvez por ser um momento e o lugar de vida em que eu pude apreciar seu trabalho como espectadora e não como funcionaria que fui levada a outras analises, construindo novas narrativas e me deixando mais inspirada a cada composição luminosa.

Sempre me surpreendo com o Robert Henke como pessoa. No começo de cada espetáculo ele timidamente sobe no palco e fala seus avisos rotineiros. Se apresenta, avisa que esta presente comandando as ações ao vivo mesmo não em cima do palco, seu equipamento fica montado junto com a plateia para ele visualizar o que esta acontecendo. Ele também proíbe o uso de qualquer aparelho luminoso durante a exibição, qualquer foco de luz extra atrapalha os outros espectadores, então desliguem os celulares. Geralmente após a performance, o artista faz 10 minutos (encore) extras destinadas as fotos para as redes sociais, mas infelizmente nesta estreia não tivemos esse momento, o registro ficará marcado na nossa memória. Outra indicação diferente foi relacionada à complexidade das imagens, o artista convidou todos a explorar os outros espaços da performance que não estavam diretamente ligados à tela, até a perceber o trabalho como de olhos fechados. Dessa forma ele propôs uma mudança de perspectivas das luzes e do som, permitindo que o trabalho toque em outros sentidos.

Mesmo após ter visto e estudado as outras edições do trabalho, o Lumiere III veio como um sopro de vento fresco, mais maduro e trazendo a complexidade perceptiva do som, luz e cor para mais uma noite fria londrina.

 

 

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