Lovely Repulsion

English:

It is interesting that some moments and artistic works can leave a mark on us by repulsion. This is what happened to me at the little ‘Wot U 🙂 About’ exhibit of the young Scottish artist Rachel Maclean at TATE Britain in London. The room, near to the entrance of the historical and traditional museum, consisted of large imagery – apparently a mixture of collage with digital paintings – and a video about 30 minutes long called ‘What’s Inside that Counts’.

The video is about a soon to be dystopic future, a post-apocalyptic wilderness with a decaying population that apparently are influenced/nourished by the celebrity or “divinity” Data, from their posts and selfies in social networks. Data has a bright yellow skin, blue hair, sculptural body and wears a chromed armor with strong colors. This character is a mix of current web-celebrities, presenter of children’s show and Emojis, who lives in a wonderful and illusory reality, being manipulated by a large corporation that aims for profit. At one point Data is “invaded” by mutant and hairy creatures that look like mice, who disconnect and “hack” her accounts, consequently destroying her life online and offline.

The film is a parody of children’s fairy tale and musical, pop celebrities and communication via Emojis. It also deals with digital identity and the need to show a fabricated reality, often illusory and manipulated. The artist mixes seemingly happy moments, vibrant colors along with grotesque and visceral moments. It is clearly a criticism of our current world, the shallowness of celebrity culture – especially online – that sells to its target audience an idealized and often manipulated lifestyle. The film shows it to us in an ironic way a distorted mirror of our current society.

Recorded in Chroma Key “Green Background” Rachel Maclean wrote, directed and acted the characters of the film, differentiating it with an exquisite work of costumes and makeup. Only the voices were made by other people.

The first time I watched the movie I was accidentally passing through the museum and was terribly delighted with its strangeness. I have to admit that when I left the exhibition space I felt disturbed and frustrated with the artwork as if it had touched places in me that caused torment. This work could be like several others that I have seen, that left me with a momentary anger for some reason, but that did not mark me. But this film was different, the songs and the language “fluffy/mermaid/unicorn” made me reflect more and more on what I see in social networks and Youtube currently, especially the channels destined to the children’s or young adults.

I returned to Rachel’s work three more times, always with the same sensation, a repulsion so great that it attracted me, that generated reflections, questionings, researches. In my understanding, this is the function of art and so its aura is built, generating conversations and reflections beyond the exhibition space. But one thing still disturbs me: it is through strangeness, repulsion and grotesque that we generate more media or more artistic visibility? Is it easier to remember something that causes us pain and disgust? Do these moments somehow turn into Traumas? Would that be a kind of ‘positive Trauma?’  I should research this!

I still remember the sensations of the day that I saw live Monet’s Nympheas, I was 7 years old.

Rachel-Maclean-and-Bren-OCallaghan-on-green-screen-shoot.jpg

http://www.tate.org.uk/whats-on/tate-britain/exhibition/rachel-maclean-wot-u-about

Português:

Interessante como alguns momentos e alguns trabalhos artísticos nos marcam pela repulsa. Assim me na pequena exposiçõe ‘Wot U 🙂 About’ da jovem artística escocesa Rachel Maclean no TATE Britain em Londres. A sala, próxima a entrada do museu histórico e tradicional, era composta por grandes imagen – aparentemente uma mistura de colagem com pinturas digitais – e um vídeo de em torno de 30 minutos chamado What’s Inside that Counts.

O vídeo trata-se de um breve futuro distópico, um deserto pós apocalíptico com uma população decadente que, aparentemente, são influenciados/alimentados pela celebridade ou “divindade” Data, através de seus posts e selfies nas redes sociais. Data tem uma pele de cor amarelo brilhantes e cabelos azuis, corpo escultural e usa uma armadura cromada com cores fortes. Esta personagem é uma mistura das atuais web-celebridades, apresentadora de programa infantil e Emojis, que vive em uma realidade maravilhosa e ilusória, sendo manipulada por uma grande corporação que visa o lucro. Em um certo momento Data é “invadida” por criaturas mutantes e peludas que parecem ratos, que a desconecta e “haqueia”as suas contas, consequentemente destruindo sua vida online e offline.

O filme é uma parodia de conto de fadas infantis e musical, celebridades pop e a comunicação via Emojis. Trata também da identidade digital e necessidade de mostrar uma realidade fabricada, muitas vezes ilusória e manipulada. A artista mistura momentos aparentemente felizes, cores vibrantes junto com momentos grotescos e viscerais. Ele é claramente uma critica ao nosso mundo atual, a superficialidade da cultura das celebridades – principalmente as online – que vendem, para seu publico alvo infantil, um estilo de vida idealizado e muitas vezes manipulado. O filme mostra de uma forma irônica um espelho distorcido da nossa sociedade atual. 

Gravado em Chroma Key “fundo verde” Rachel Maclean escreveu, dirigiu e atuou os personagens do filme, diferenciando com um primoroso trabalho de figurino e maquiagem. Apenas as vozes foram dubladas por outras pessoas.

A primeira vez que vi o filme foi acidentalmente passando pelo museu, fiquei terrivelmente encantada com sua estranheza. Tenho que admitir que ao sair do espaço expositivo me senti perturbada e frustrada com o trabalho artístico, como se ele tivesse tocado lugares em mim que me atormentavam. Esta obra poderia ser como varias outras que já vi, que me deixavam com uma raiva momentânea por algum motivo, mas que no fundo não me marcavam. Mas esse filme foi diferente, as musicas e a linguagem “fofa/ sereia/ unicórnio” me fizeram refletir cada vez mais o que vejo nas redes sociais e no Youtube atualmente, principalmente os canais destinados ao publico infantil ou jovem adulto.

Voltei para vez a obra da Rachel mais 3 vezes, sempre com a mesma sensação, uma repulsa tão grande que me atraia, que gerou reflexões, questionamentos, pesquisas. No meu entendimento essa é a função da arte e assim é construída sua aura, gerando conversas e reflexões além do espaço expositivo. Mas uma coisa ainda me perturba, porque através do estranhamento, da repulsa e do grotesco geramos mais mídias ou mais visibilidade artística? Será que é mais fácil lembrarmos de algo que nos gera dor e repulsa? Será que de alguma forma esses momentos se transformam em Traumas?

O que será o equivalente de um Trauma só que positivo? Devo pesquisar isso!

Ainda me recordo das sensações do dia que em vi ao vivo as Nympheas do Monet, eu tinha 7 anos.

 

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