Live Uncertainty

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English: 

In this is a brief and personal text is my perception of the 32nd Biennal of Art in São Paulo.

Português: 

Este é um texto breve e pessoal, a minha percepção da 32a Bienal de São Paulo.

From September 7 to December 11 and 2016, the 32nd São Paulo Biennial was held in the large building projected by the architect Oscar Niemeyer in Ibirapuera Park, it is one of the most important contemporary art exhibitions in the world. This edition of the event presented us the theme Uncertainty of Living, which according to the curator Jochen Volz, symbolizes the state of natural uncertainty that was intensified at the present moment. Many concepts that we took as fixed and irreducible are no longer being accepted – a feature of this contemporaneity is shown with the breaking of the great narratives. Man’s relation with the planet, climate, social challenges, regimes and economies, property, money are being reviewed and questioned. The curator still argues that all our actions as human beings are connected, today we are aware of our vulnerability, humility and that our lives are part of a larger network, such as science and philosophy, art has this function to contribute to the global world.

Art has the characteristic of speculating with the unknown all the time. Being an area of possible experimentation, it has the capacity to provoke reflection in the time in which we live. The Biennial has the proposition of being a place where art merges with the imagination in order enable us to glimpse other narratives of the past and new paths to the present and future, promoting learning not only with other human cultures but with the wisdom of nature. This Biennial was set up as a garden, in which themes intertwined with each other, creating an ecology of their own, and defended the importance of disassociating from the uncertainty of fear. Only when everything is dark can we perceive the different nuances of light.

Guided by this speech, Jochen Voltz, a German art historian -curator head of the Serpentine Gallery, curator and former director of the Inhotim Institute in Minas Gerais in Brazil (among other positions) , with 4 curators from different parts of the world: Gabi Ngcobo ( South Africa), Júlia Rebouças (Brazil), Lars Bang Larsen (Denmark) and Sofía Olascoaga (Mexico), selected more than 80 participants among artists and groups from 31 countries, with more than 300 works of art representing the four different arms within Living Uncertainty – Education, Ecology, Cosmology and Narrative. In addition to the majority of young artists who were commissioned to perform unpublished works for the biennial, the event also presented a section called `Historical` directed to great works of consecrated artists. Surprisingly for the first time in a Biennial more than half of the chosen artists were women.

Aconteceu do dia 07 de setembro até o dia 11 de dezembro e 2016 a 32a Bienal de São Paulo, localizada no grande prédio do Oscar Niemeyer dentro do parque do Ibirapuera, uma das mostras de arte contemporânea mais importantes do mundo. Esta edição do evento nos apresentou o tema Incerteza Viva, que segundo o curador Jochen Volz simboliza o estado de incertezas natural que foi intensificado no momento atual, muitos conceitos que tomávamos como fixos e irredutíveis não são mais aceitos – uma característica da contemporaneidade é a quebras das grandes narrativas. As relações do homem com o planeta, com o clima, com os desafios sociais, regimes e economias, propriedade, dinheiro estão sendo revistas e questionadas. O curador ainda defende que todas nossas ações como seres humanos estão conectadas, hoje temos uma consciência da nossa vulnerabilidade, humildade e que a nossas vidas fazem parte de uma rede maior, assim como a ciência e a filosofia, a arte tem esta função de contribuir para o mundo global.

A arte tem a característica de especular com o desconhecido o tempo inteiro. Sendo uma área de possível experimentação, tem a capacidade de provocar a reflexão no tempo em que vivemos. A bienal tem a proposta de ser um lugar aonde a arte se funde à imaginação para assim sermos capazes de vislumbrar outras narrativas do passado e novos caminhos para o presente e futuro, promove a aprendizagem não só com as outras culturas humanas, mas com a sabedoria da natureza. Esta bienal configurasse como um jardim, em que os temas se entrelaçam entre si criando uma ecologia própria, e defende a importância de desassociarmos a incerteza do medo. Só quando tudo está escuro que conseguimos perceber as diferentes nuances de luz.

Guiado por este discurso, Jochen Voltz, um historiador de arte alemão –curador chefe da Serpentine Gallery, curador e ex-diretor do Instituto Inhotim em Minas Gerais no Brasil, entre outros cargos –com 4 cocuradores de diferentes partes do mundo: Gabi Ngcobo (Africa do Sul) , Júlia Rebouças (Brasil) , Lars Bang Larsen (Dinamarca) e Sofía Olascoaga (México), selecionou mais de 80 participantes entre artistas e coletivos de 31 países, forma mais de 300 obra de arte que representavam os quatro diferentes braços dentro da Incerteza viva – Educação, Ecologia, Cosmologia e Narrativa. Além da maioria de jovens artistas que foram comissionados a realizar trabalhos inéditos para a bienal, o evento também apresentou uma parte chamada de histórica voltado a grandes obras de artistas consagrados.Surpreendentemente pela primeira vez em uma bienal mais da metade dos artistas escolhidos foram mulheres.

Before entering my perception about the show, it is necessary to think a little about how a Biennial is configured. The Biennial of São Paulo began in 1951 and is the second oldest in the world, until today it presents the molds inspired by the Venice Biennial (beginning: 1895). It is an artistic exhibition space not aimed at consumption. It started as a way of building a national identity for the country, with the time spent for the representation of the speech of a specific curator – each edition a new curator is invited. Unfortunately, there are issues in which the curatorial discourse ends up being bigger than the chosen works.

In my brief staying in Sao Paulo, I managed to spend 3 afternoons at the Pavilion. This year they chose to fill the whole building and brought some works that extended to the park, the ratchets were removed and all the doors were open. The building looked like a big square. I felt comfortable there, not only by the works themselves but by the arrangement of the works, they had more spaces for breathing, more benches, and a delicious place for meetings and studies. I felt less the pressure of being forced to see and analyze all the works that were there.

Regarding the works, in addition to videos, paintings, and sculptures I noticed many performances and works that were “activated”. I found beautiful the involvement with the nature of the surroundings, with the natural elements, and the regional culture and the religious syncretism typical of the Brazilian people. I noticed many collections of artists and catalogs, and I liked to see that many artists present were far beyond “just” artists, they were scientists, sociologists, and researchers, and the biennial made a point of presenting these complete works, in the process. After all, nowadays what is the role of the artist-artist? Does this person still exist? Or have we all become artists-etc (researchers, activists, teachers …)?

Antes de entrar na minha percepção sobre a mostra, é preciso pensar  um pouco sobre como se configura uma Bienal. A Bienal de são Paulo começou em 1951 e é a segunda mais antiga do mundo, até hoje apresenta os moldes inspirados na Bienal de Veneza (inicio:1895). É um espaço de exibição artística não voltada para o consumo. Começou como uma forma de construção de uma identidade nacional para o país, com o tempo passou para a representação do discurso de um curador especifico – a cada edição um curador novo é convidado. Infelizmente, há edições em que o discurso curatorial acaba sendo maior do que os trabalhos escolhidos.

Na minha breve estadia por São Paulo, consegui passar 3 tardes no Pavilhão. Este ano eles optaram por preencher o prédio inteiro e trouxeram algumas obras que estendiam para o parque, as catracas foram retiradas e todas as portas estavam abertas. O prédio parecia uma grande praça. Me senti a vontade lá, não apenas pelas obras em sim, mas pela disposição dos trabalhos, tinham mais espaços para o respiro, mais bancos, um delicioso lugar para encontros e estudos. Senti menos a pressão de ser obrigada a ver e analisar todas as obras que estavam lá.

Sobre os trabalhos, além de vídeos, pinturas e esculturas percebi muitas performances e obras que foram “ativadas”. Achei lindo o envolvimento com a natureza do entorno, com os elementos naturais, com a cultura regional e o sincretismo religioso típico do brasileiro. Percebi muitas coleções de artistas e catalogações e gostei de ver que muitos artistas presentes eram muito além de “apenas” artistas, eram cientistas, sociólogos e pesquisadores, e a bienal fez questão de apresentar esses trabalhos completos, apresentando o processo. Afinal, hoje em dia qual o papel do artista-artista? Será que ainda existe esse tipo? ou já nos transformamos todos em artista-etc (pesquisadores, ativistas, professores…)?

This Biennal beat the record of public and visitation but was not very well accepted by the art critics. I understand that some works lack an artistic refinement, a sophistication and seemed to represent a foreign look for the regional “weirdo”. I felt a bit weird about it, just like when I saw the trailer for the new film Space Beyond by Marina Abramovic, which seemed to represent my country of my culture but still in a picturesque way. I know that in art we need to introduce ourselves and build our narrative and often the attraction to the ` strange` and “foreign” is inevitable, but I would prefer it to be presented in a natural way and not become the main motivation for the work.

Está bienal bateu um recorde de publico e visitação, mas não foi muito bem aceita pelos críticos de arte. Entendo que alguns trabalhos faltam um requinte artístico, uma sofisticação e pareceram representar um olhar estrangeiro para o “esquisito” regional. Me senti um pouco esquisita com isso, assim como quando vi o trailer do novo filme Espaço Além da Marina Abramovic, que parece representar o meu país de minha cultura ainda de uma forma pitoresca. Sei que na arte precisamos nos apresentar e construir nossa narrativa e muitas vezes a atração pelo “estranho” “estrangeiro” é inevitável, mas prefiro que isso seja apresentado de uma forma natural e não se torne a principal motivação pelo trabalho.

Artistas/ Trabalhos relevantes para mim:

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FRANS KRAJCBERG – 1921, KOZIENICE, POLÔNIA. VIVE EM NOVA VIÇOSA, BAHIA, BRASIL

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GABRIEL ABRANTES – 1984, CHAPEL HILL, CAROLINA DO NORTE, EUA. VIVE EM LISBOA, PORTUGAL

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GILVAN SAMICO – 1928, RECIFE, PERNAMBUCO, BRASIL – 2013, RECIFE

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